por Oscar D'Ambrosio


 

 


Pedras mutantes de Sidney Lacerda

 

            O mundo atual, marcado pelo consumismo exacerbado e por uma progressiva perda da sensibilidade nas relações humanas, faz com que muitas pessoas se caracterizem por um gradual desenvolvimento de uma personalidade identificada por uma falta de idealismo e de mutabilidade.

            Esses seres humanos comportam-se como pedras, delimitadas pela falta do poder do diálogo. No entanto, dentro de cada uma delas há um sentimento a latejar. É exatamente isso que o artista plástico Sidney Lacerda explora em seu trabalho Pedras mutantes.

            Pequenas pedras são colocadas nos mais diversos formatos constituindo corpos humanos nas mais variadas posições. Dispostos sobre o solo, surgem silhuetas sempre acrescidas de algum objeto (um par de tênis, por exemplo), no qual é colado um espelho.

            Estabelece-se assim uma metáfora de como as pedras podem ganhar vida. O espelho permite justamente que a pessoa se veja no trabalho e também que ela observe as imagens e os reflexos propiciados em torno das “pedras mutantes” e daquilo que suas formas evocam.

            A riqueza da obra está justamente na capacidade das pequenas pedras serem movimentadas a qualquer momento para gerar novas formas e no poder de cada indivíduo ver em cada conjunto delas – por mais áridas que  possam parecer, num primeiro momento – seres com alma, capazes de refletir emoções próprias e alheias.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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