por Oscar D'Ambrosio


 

 


Paulino Torrubia Lazur

 

            No reino da geometria

 

            A partir dos conceitos geométricos de ponto, linha, plano e volume, o escultor, pintor e designer Paulino Torrubia Lazur  constrói a exposição A geometria revisitada. Feito a mão, de 6 de abril a 5 de maio de 2006 no Instituto Cerbantes, em São Paulo, SP. Madeira e alumínio são as matérias-primas para a construção de um reino visual de triângulos, círculos, quadrados, pêndulos e prumos.

            Nascido em Barcelona, mas radicado no Brasil desde criança, Torrubia apresenta pinturas, objetos-arte, esculturas e pinturas-objeto num conjunto que dá uma idéia de sua produção mais recente e da sua reflexão sobre o que significa ser artista a partir dos materiais com os quais trabalha. Nesse sentido, o vídeo que integra a exposição auxilia a conhecer melhor o pensamento e o fazer artístico do criador catalão.

            A obra mais impressionante do conjunto, embora um pouco perdida na entrada da exposição, é a escultura A grande soprano. A utilização hábil da madeira imbuía contribui decisivamente para a criação de um “ser” onipresente que cristaliza todo o universo da vaidade que, de forma mais ou menos estereotipada, de acordo com o caso, caracterizava as cantoras líricas. Significativamente, também introduz certos elementos de fragilidade, como a apontar que, por maior que seja o ego, a vaidade e o histrionismo, essas artistas são seres humanos com qualidades e defeitos, dons e falhas.

            Plasticamente bem resolvidos, mas com uma linguagem mais próxima da decoração do que da arte propriamente dita, entendendo esta como o universo da experimentação e da inquietação, mandalas de compensado, imbuia e mogno oferecem momentos de interiorização a partir das formas geométricas utilizadas.

            A série de pinturas com tinta acrílica sobre tela propõe uma releitura de possibilidades de trabalhos com cores e formas, na esteira de obras bem mais instigantes de mestres como Volpi. Essa linha de pesquisa pode – e deve – ser intensificada, principalmente com o uso de cores e estruturas mais pessoais, em busca de uma forma de apresentação mais indagadora.

            A combinação entre diferentes tipos de madeira e o alumínio revela um potencial bastante promissor, ainda mais quando se pensa que o uso de compensando, imbuia e mogno oferece toda uma variedade cromática a ser explorada e renovada. As formas possíveis de serem construídas – e não só as geométricas – e o desejo de precisão e do corte exato estabelecem interrogações criativas que o artista tem plenas condições de enfrentar.

            Entre os objetos-arte, Edifício, em que compensado, freijó e mogno dialogam com o alumínio funciona como um alerta para a maravilha plástica e, ao mesmo tempo, desumana das metrópoles. Pode ser que esteja neste trabalho a matriz de uma pesquisa que tenha a cidade como elemento estrutural fundamental, onde prumos e pêndulos possam ser colocados como questionamentos da fascinação e sofrimento de viver em cidades como São Paulo,onde a geometria não respeita o homem.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Petivov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo). É responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio

 
 

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  Triângulo 
   110 cm - madeiras: compensado, imbuia e mogno 2005

Paulino Torrubia Lazur

 

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