por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

Patricia Bigarelli

 

Entre cores

 

Apenas dizer que a cor é um dos principais recursos da história da arte da pintura especificamente não faz jus ao trabalho plástico de Patrícia Bigarelli. Sua questão fundamental não é simplesmente explorar as potencialidades da cor e dos pigmentos em si mesmos, mas dar-lhes um novo sentido em que a capacidade de pesquisa se alie a um processo de despertar a sensibilidade do observador.

Usada em excesso, a cor pode colocar um trabalho a perder. Sua ausência ou uso comedido, sem amadurecimento desse processo, pode levar a um resultado às vezes sem personalidade definida, carente da marca que torna cada artista distinto do outro, seja no pensamento ou na composição de um trabalho.

Nesse jogo de riscos, a obra pictórica de Patrícia se destaca por ter a própria cor como assunto. A desgastada palavra “pesquisa”, em suas tela, não parece constar de uma retórica vazia, mas sim de uma prática poética que se apresenta plasticamente como um universo cromático lúdico pleno em matizes.

Patrícia articula as cores de diversas formas, seja na pintura, sua expressão mais amadurecida e visceral, na gravura, onde as monotipias se destacam como processo único de mesclar a espontaneidade, o pensar do fazer e a técnica, e a fotografia, universo em que vem desenvolvendo trabalhos recentes em que a ilusão de movimento ganha um papel fundamental.

Seja com cores mais quentes, primárias, ou com tons mais ocres, secundários, o poder de criar atmosferas se mantém pelo domínio da prática da pintura a óleo, que permite a exploração de instaurar camadas e veladuras repletas de nuances, visíveis à medida que nos aproximamos de cada quadro.

O progressivo esvaziamento da forma obtido pela artista leva a uma progressiva evolução no ato de lidar com as cores como um recurso plástico em que o que é pintado vale tanto por aquilo que se vê como por aquilo que se revela embora velado pelo processo de feitura de cada tela. Assim, a construção visual propriamente dita e a sugestão do trabalho efetivamente realizado caminham em paralelo.

O maior segredo da cor está em respeitá-la, e Patrícia Bigarelli, nesse sentido, estabelece uma dinâmica própria, um ritmo musical se desprende de sua telas em uma harmonia que fala mais alto principalmente quando os tons de ocre ganham espaço para respirar entre si e dialogar com o olhar do observador.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 

 

 

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Monocromático
óleo sobre tela - 2006

Patrícia Bigarelli

 

 

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