por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

 
 

O Trottoir de Sidney Biondani

 

O termo trottoir significa originalmente fazer uma caminhada em uma praça ou alameda. Era um tipo de passeio onde, ao dar voltas em um mesmo lugar, as pessoas aproveitavam para se conhecer e para encontros amorosos. Posteriormente, o termo começou a ser aplicado para designar as prostitutas nas calçadas, andando prá lá e prá cá, perambulando pelas ruas, à busca de fregueses.

A exposição de Sidney Biondani tem como destaque 12 telas que formam um painel em que o trottoir se faz presente de uma maneira original. O conjunto mostra prostitutas em busca de clientes, mas, acima de tudo discute o mistério da luz e o diálogo entre os azulados e cinzas, com imersões no preto e no branco.

Além das mulheres, estão ali as entradas de bares, já tratadas em série anterior pelo artista, além de flagrantes urbanos de um pedestre correndo atrás de um ônibus, guarda de trânsitos, motoboy, homem do churrasquinho e outros personagens que auxiliam a compor um universo noturno pleno de humanidade e pintura refinada.

A florista, o carroceiro e toda uma atmosfera que dialoga com o norte-americano Edward Hopper em termos de assunto e de reflexão existencial sobre a solidão das pessoas nos ambientes mais variados alerta para conceber seu políptico como um mergulho na alma humana.

As outras pinturas de cidades imaginárias, em planos mais abertos, ou as aquarelas que focam mais de perto diversos personagens trazem a mesma discussão: a de como a arte pode, pelo domínio da técnica obrigar a refletir sobre o ser e o sentir de cada ser humano em uma busca interior.

A procura de Sidney Biondani é pela luz. Seu caminhar frenético é por suas variações e nuances e infinitas possibilidades. Saber iluminar o que se pinta ou desenha é entender melhor ao mundo e a si mesmo numa conversa infinita entre o que se deseja ser, o que se é e aquilo que os outros acham que nós somos.

A variação da luminosidade é fundamental nesse processo, seja com a tinta ou como postura existencial perante o próprio trabalho. O trottoir do artista é o mesmo da prostituta. Está em busca de ser visto – e se mostra ou se esconde de acordo com seu talento e sensibilidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

 

 

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