Michel Sallouti
Os
sentires do
branco
A
cor
branca é a junção de todas as
cores do
espectro
cromático. Definida como “a cor da
luz”,
reflete os raios luminosos e, por isso, aparece como clareza máxima. Daí a
dificuldade de se trabalhar com ela, principalmente quando se opta por
grandes áreas da tela vazias, deixando justamente o poder da cor falar.
O
artista
plástico
Michel Sallouti desenvolve
um
pensamento
e uma
prática
sobre
o
branco
e
suas
numerosas variações. Possuidor de
um
vasto
repertório,
sua
produção aponta
para diversas
direções,
unidas
pela
riqueza da
cor
que
escolheu
para
trabalhar
com
tinta
acrílica
e
com a
aplicação de
diversos
tipos
de
texturas.
Há, na
poética
do
artista,
a
criação
de
caminhos,
sejam
eles
em
linha
reta
ou
em
curva.
Funcionam
como
metáforas
do
próprio
movimento
do
ser
humano
em
sua
trajetória
em
busca
da
consecução
de
seus
ideais.
Ficam evidenciadas
trilhas
em
movimentos
para o
alto,
sempre
com o
conceito
de continuidade.
Existe
também
um
pensamento
mais
geométrico,
em
que as
texturas
são
utilizadas na
construção de
figuras
a
partir do
uso de
quadrados,
círculos
e
triângulos.
Trata-se de uma
jornada
em
que a
discussão se dá
pela
maneira
de
atuar
sobre
o
ponto, a
linha,
o
plano
e,
em
escala
menor,
o
volume.
A pequisa
ganha
dimensões
mais
interessantes à
medida
em
que
existe uma
gradual
destruição
dessas
formas.
Quadrados
mantêm a
forma,
mas
são
diluídos
em
suas
extremidades,
dentro
de
um
princípio
de
progressiva
perda
de
rigidez
e
fragmentação,
em
consonância
com a
sociedade
contemporânea.
Os caminhos
futuros
do
artista
indicam,
dentro
desse
pensar e
agir
sobre
o
universo
visual
que o
branco
propicia, o
esmaecimento
da
figura
e do
uso
das próprias
texturas
para
um
mergulho
cada
vez
mais
denso
naquilo
que a
cor
oferece
enquanto
junção
das
cores
e pelas
sensíveis
variações
que
existem
dentro
dela
mesma.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).