Os Papéis de
São Jorge de Alexandre Bernardes
Patrono da
Inglaterra,
Portugal,
Geórgia,
Catalunha,
Lituânia,
da
cidade de
Moscou,
dos
escoteiros
e do
S. C. Corinthians Paulista,
São Jorge desempenha diversos papéis. A veneração ao seu nome é igualmente
múltipla e a data de sua devoção,
23 de abril,
dia de seu martírio por não abrir mão da fé em Cristo, é celebrado por
muitos das mais diversas maneiras.
Degolado
em
303, a
mando
do
imperador
Diocliesiano,
sua
relação
com a
espada,
o
escudo, a
lua e o
dragão,
assim
como
seu
correspondente
Ogum, na
umbanda,
geram
em
torno
dele uma
áurea
que
vai da
adoração
aos
seus
restos
mortais
em
Lida
(Israel) à
vibração
popular
por
um
gol marcado.
Alexandre
Bernardes
toma
esse
mote
com
uma das
principais
características
de
seu
trabalho
plástico,
que é
a
liberdade.
Os
diversos
papéis
sociais
e simbólicos do
santo
são
passados
para o
suporte
papel
sempre
em
nome
da
coerência
plástica
e de
um
gesto
marcado
por
um
estilo
que
namora
o
abstrato
sem
abrir
totalmente
mão do
figurativo.
Nesse
sentido,
estão
presentes
na
exposição
silhuetas
do
santo,
assim
como
sua
espada
e
plantas
que
aludem ao
seu
nome
como a
espada-de-são-jorge.
As
cores
vermelha,
azul,
preta
e
branca
dominam
esse
universo,
que
culmina na
própria
ascensão
do
santo,
cavaleiro
e
herói
na
terra e na
lua,
onde
combate o mítico
dragão.
Não se
trata
de uma
exposição
religiosa,
no
que
diz
respeito
a uma
celebração
ao
santo,
mas de
uma
mostra
unida
em
torno
de
um
forte
conceito:
como
trabalhos
sobre
papel podem
representar
distintos
papéis de
um
santo
muito
popular
e
que
promove
com
desenvoltura
o
diálogo
entre
o
sagrado
e o
profano.
Os
melhores
momentos
do
trabalho de
Alexandre Bernardes ocorrem na
proporção
em
que a
manufatura
do
próprio
papel e
sua
pintura
ou o
ato de
desenhar
sobre
diverso
tipos
dele
com
vários
materiais
ganha
relevância
sobre
o
próprio
assunto
enfocado.
O
estético
fala
assim
mais
alto e
conquista o
observador no
primeiro
olhar,
algo
que
está
além
de
discursos
intelectuais
e se faz
presente
por
si
mesmo.
Cada
pincelada
ou
cor de
Alexandre Bernardes
comporta,
portanto,
uma
interpretação
do
tema
escolhido e gera a nossa
reflexão,
enquanto
observador,
sobre
quem
foi
São
Jorge,
qual o
seu
papel e
como a
arte age
para
gerar e
ampliar essa
rica
discussão.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).