por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Oscar Oiwa

 

            A destruição com equilíbrio

 

            O mundo contemporâneo encontra na obra pictórica de Oscar Oiwa uma manifestação plástica que consegue escapar de dois riscos comuns: a lamentação chorosa e o deboche exagerado. Há, em seu trabalho, uma mescla de reflexão racional e humor cáustico numa proporção rara.

            Se a sua Ofélia sai do drama Shakespeare e da pintura de John Millais transformada num robô em ruínas em meio à água, seus cenários mostram universos geralmente urbanos com visíveis marcas de destruição, causados por bombardeios, terremotos ou outros tipos de catástrofe.

            A poética de Oiwa é a da inocência perdida. Assim como a apaixonada Ofélia encontra no suicídio a alternativa romântica de escapatória do mundo, sua arte torna-se uma resposta visual a um universo dominado pelo capital das multinacionais, pela violência e pela ausência de diálogos entre as pessoas – aliás, geralmente ausentes de suas obras.

            Nascido em São Paulo, em 1962, de origem japonesa, e tendo morado em Tóquio, Londres e, atualmente, em Nova York, Oiwa mostra uma sociedade fragmentada e à beira da destruição total, mas com harmonia em cada tela. Talvez por ser, como se intitulava Chaplin, um cidadão do mundo, tem evidente que a desordem primordial só existe por estar sustentada por um equilíbrio interno.

            A atmosfera de destruição não impede a harmonia de composição. Pelo contrário, seja uma cena aérea, um Coliseu  em ruínas ou um bairro urbano com muita informação visual, há um equilíbrio geral que permite às telas transmitir um conceito: há ordem na desordem e o que poderia ser feio de se ver se torna belo quando bem feito.

            O fato de Oiwa trabalhar com obras de grandes proporções colabora para ampliar a sensação de que se habita um mundo em desarmonia e reforça que não existe desespero nisso, pois a própria aparente desarticulação plástica constitui uma articulação ordenada de elementos que não levam ao desespero, mas a convicção de que o não-desespero é um passo para o esmero.

            A técnica apurada do artista evidencia que sua escolha por um clima lúgubre é um pretexto pictórico de uma série de estudos visuais aprofundados. Somente dessa forma é possível lidar com um grande número de elementos sem perder o foco ou gerando áreas que roubem a atenção do conjunto do quadro.

            Oscar Oiwa oferece sua visão de mundo com muito impacto. Há uma realidade desmontada pelo poder do próprio ser humano de fragmentar a si mesmo e à natureza, mas,  acima de tudo,  existe a força da composição que estabelece um universo próprio e mágico de encantamento.

            Perante um planeta que parece ter pouco a oferecer, Oiwa propicia o seu talento em conceber espaços fantasmagóricos e lúgubres com pitadas de ironia. Assim a crítica ganha em contemporaneidade, já que esse tom híbrido contribui decisivamente para gerar indagações ideológicas e estéticas, que tornam o artista paulistano um importante referencial sobre como a sua geração interpreta, com qualidade técnica e talento, este início de século XXI.

               

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 G-8 Meeting
óleo sobre tela 227 x 444 cm 2007

Oscar Oiwa

 

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