por Oscar D'Ambrosio


 

 


 
 

Oscar Niemeyer: possibilidades centenárias

 

            Arquiteto brasileiro considerado um dos nomes mais influentes na arquitetura moderna internacional, Oscar Niemayer, que completa 100 anos em 15 de dezembro de 2007, ganhou destaque pelo pioneirismo na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado.

Acima de tudo, porém, impressiona pela liberdade de seu desenho e pela forma como desenvolve suas linhas no espaço. Nesta exposição, oito artistas plásticos mergulham no mundo do centenário arquiteto e imortal criador, desenvolvendo trabalhos em que o grande desafio está em dialogar com o mestre.

            Adriana Zudin toma o edifício-sede da editora italiana Mondadori, projetado na Itália por Niemeyer, para realizar um exercício em que a referência concreta e o seu espelhamento abstrato dialogam. Também apresenta uma obra em vidro na qual se vale da estrutura e das cores para criar a sua composição.

            Alexandre Bernardes parte de construções de Niemeyer para desenvolver um trabalho sobre lona com bastante materialidade e riqueza de recursos plásticos.  Consegue um efeito de impacto não só à primeira vista, mas, principalmente numa conversa mais próxima com o trabalho.

            Aline Hannun se debruça sobre outro projeto, o edifício Copan, célebre pela sua geometria sinuosa, que lembra uma onda. Na tela e no seu objeto giratório, utiliza a colagem para ressaltar a diversidade do edifício, que já abrigou moradores como Cauby Peixoto, Di Cavalcanti, Plínio Marcos, Paulo Mendes da Rocha e Elke Maravilha.

            Clara Marinho homenageia o arquiteto com uma tela de seu rosto, num apurado jogo de cores e pleno da leveza do traço e numa placa escultórica em que, com esmerada técnica e imensa paciência, compõe com vidro a imagem da Catedral de Brasília, outro célebre edifício de Niemeyer.

            Lú Salum desenvolve o poder da linha do arquiteto carioca. Valoriza o projeto da Igreja de São Francisco, em Belo Horizonte, tanto na encáustica, técnica com cera de abelha, como em seu objeto. O movimento das linhas arquitetônicas, das colinas mineiras e das curvas femininas transforma-se numa só linguagem.  

            Rita Bassan também toma como mote as linhas e os vazios. Eles se fazem presentes tanto nas duas telas, onde há espaço, respectivamente, para uma criança empinando pipa e para uma mulher repleta de curvas, como no objeto em cerâmica, que permite a conversa entre o tudo e o nada – entre o dizer e o sugerir.

            Sandra Scaffide explora, em preto e branco, o rosto do homenageado, numa construção de inúmeros quadradinhos simétricos e preenchidos em rica escala cromática, num trabalho que cresce a distância. É ainda a única a se debruçar sobre a faceta do arquiteto no desenho de móveis, como a cadeira, que recria plasticamente.

            Silvia Fischetti estabelece a sua visão da arquitetura do artista centenário. Consegue isso pela forma como estabelece a disposição dos planos e das massas de cor. Os prédios, embora reconhecíveis, perdem importância perante a maneira como ela distribui as áreas plásticas, numa composição repleta de musicalidade.

            Os oito artistas oferecem, assim, uma ampla visão das possibilidades centenárias que Oscar Niemeyer propicia. Homenageiam-no ainda em vida – e, de certa forma, contribuem para eternizar o arquiteto que, embora sem talvez o desejar, está, dia-a-dia, pelo seu talento e longevidade, se tornando um mito.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

           

 

 



 

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