por Oscar D'Ambrosio


 

 


Orlando Marques

 

            A pesquisa como sacerdócio

 

            A arte vem se tornando nas últimas décadas e, preferencialmente no século XXI, um universo em que o multidisciplinar ganha um papel predominante. Isso se faz presente não apenas na forma do fazer , com a mescla de técnicas e suportes , mas muito na maneira de cada criador se entender como um produtor de imagens e de idéias .

            Orlando Marques, nascido em Santa Bárbara d’ Oeste , em 1963, é uma expressão de alguém que se como artista não pelo resultado obtido em seus trabalhos , mas , acima de tudo , por se considerar um incessante estudioso , inquieto na procura pelas mais diversas alternativas .

            Lidar com madeira , cerâmica , ferro , sucatas ou tintas não constitui um problema . A autêntica questão é como tornar isso tudo significativo no sentido de apresentar o melhor de si , seja numa performance ou num objeto . O essencial é não se repetir e ver cada desafio como possibilidade de renovação.

            O ato de parafusar ou soldar é tão nobre , nesse contexto , como o de realizar um desenho ou uma pintura . O mundo da arte se alimenta da realidade , tanto da tecnologia quanto dos objetos em si mesmos , para transmitir uma posição e um sentimento de ser e de estar no mundo .

            A cadeira , um dos símbolos do artista , assim como a geometria , com o uso de triângulos , retângulos e círculos completos ou pela metade , apontam na mesma direção : aquilo feito originalmente para uma coisa pode servir para outra . Isso se evidencia quando os tamanhos são alterados de 3 cm a 2 m ou pelo desafio da lógica aristotélica .

            Orlando Marques brinda ao observador a rica possibilidade de fugir da mesmice . Pelo uso de figuras , cores e materiais diferentes , até pelo próprio corpo quando realiza uma performance e incorpora um personagem , indaga constantemente , atitude que o coloca dentro de uma família de artistas que tem na inquietação uma característica e no levantamento de dúvidas uma espécie de sacerdócio , cujo santo maior é a pesquisa contínua .

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 O beijo 
técnica mista 100 x 100 cm sem data

Orlando Marques 

 

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