Helena Vasconcelos: o retalho
que
soma
Quando se
pensa num retalho, pensa-se na
parte de
um
todo. O
seu
grande
fascínio está
em
verificar
como
esse
fragmento acaba se integrando a
um
conjunto
visual. A
idéia de
tomar uma
imagem e
vislumbrar a
sua
potencialidade na
secção
cria uma
poética
entre
aquilo
que é mostrado e o
que se
passa a
sugerir.
Ao
tomar
temas
característicos do
Estado de Goiás,
como a
procissão do
fogaréu, a
casa da
poeta
Cora Coralina,
cidades
como
Caldas
Novas e Pirenópolis e
manifestações
populares,
como
congada e
cavalhada, a
artista
plástica
Helena Vasconcelos consegue
realizar essa
integração
entre o
que se
vê e o
que se sugere.
Sua
solução
visual inclui
tanto os retalhos ligados à
cultura
popular,
presentes,
por
exemplo, na
chita,
como a
estética dos
vitrais,
em
sua
expressão de
justaposição de
fragmentos
para
formar
um
todo dominado
pela
força de uma
imagem. Nesse
aspecto, a
forma de
fazer é
mais
importante do
que a
imagem.
A
poética dessa
artista
mineira radicada
em Goiânia há
mais de duas
décadas está na
sua
capacidade de ver uma
imagem e
extrair dela o
máximo
que o
seu
repertório e
histórico
visual permite. No
processo de
fragmentar e de
recompor, estabelece-se uma
dinâmica
em
que os retalhos
são somados
para
atingir
um
conjunto
que
encanta
pela harmonia atingida.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da UNESP, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).