por Oscar D'Ambrosio


 

 


Helena Vasconcelos: o retalho que soma

 

            Quando se pensa num retalho, pensa-se na parte de um todo. O seu grande fascínio está em verificar como esse fragmento acaba se integrando a um conjunto visual. A idéia de tomar uma imagem  e vislumbrar a sua potencialidade na secção cria uma poética entre aquilo que é mostrado e o que se passa a sugerir.

            Ao tomar temas característicos do Estado de Goiás, como a procissão do fogaréu, a casa da poeta Cora Coralina, cidades como Caldas Novas e Pirenópolis e manifestações populares, como congada e cavalhada, a artista plástica Helena Vasconcelos consegue realizar essa integração entre o que se e o que se sugere.

            Sua solução visual inclui tanto os retalhos ligados à cultura popular, presentes, por exemplo, na chita, como a estética dos vitrais, em sua expressão de justaposição de fragmentos para formar um todo dominado pela força de uma imagem. Nesse aspecto, a forma de fazer é mais importante do que a imagem.

               A poética dessa artista mineira radicada em Goiânia há mais de duas décadas está na sua capacidade de ver uma imagem e extrair dela o máximo que o seu repertório e histórico visual permite. No processo de fragmentar e de recompor, estabelece-se uma dinâmica em que os retalhos são somados para atingir um conjunto que encanta pela harmonia atingida.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

           

 

 



 

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