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O pintor e escultor Eduardo Schamó O pintor e escultor Eduardo Schamó tem como principais características de seu trabalho o ludismo e a criatividade. Suas obras não são feitas para serem olhadas passivamente. Pelo contrário, ganham interesse justamente por exigir a participação de cada observador. Suas pinturas, preferencialmente em negro, branco ou tons terrosos, trabalham texturas e elementos geométricos de modo a construir desafios visuais. Formas retangulares e círculos são articulados em composições em que se faz presente a idéia de alternar a posição dos elementos. Nas esculturas, feitas em boa parte a partir de objetos de isopor utilizados em embalagens de produtos de porte médio, como eletrodomésticos, surgem novos jogos. Entram elementos de pinturas, de colagem e de interferência, mas, acima de tudo, prevalece a capacidade de surpreender e de ironizar constantemente. Um dado fundamental é o contraponto entre o pesado e o leve. As peças, pelo processo de pintura e coloração, muitas vezes com um aparente envelhecimento fossilizador e com tons ferrugem, parecem pesadas, mas mantém a leveza do isopor e mobilizam uma intensa descoberta de texturas. O jogo de possibilidades de Schamó, seja no trabalho pictórico ou na reutilização de sucata, começa no processo de criação, ganha força na obra em si mesma e se amplia infinitamente na recepção. O artista, nesse raciocínio poético, só considera a obra, de fato, funcionando quando o público é mobilizado internamente a participar. Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
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