O
país da
cor
As
cores podem
ser consideradam
apenas
um
fenômeno
óptico,
mas revelam
em
si mesmas uma
gama de possibilidades
visuais
que as levam a
ser
objetos de
reflexão
constante de
artistas
plásticos,
designers
e
arquitetos,
que se valem delas para originar, via harmonia ou dissonância, reações na
percepção
humana que, de uma forma ou de outra, não deixam o espectador passivo.
Nesta
exposição do
grupo Kromacrea (em
grego, “criar
com a
cor”),
em
São Paulo, SP, Brasil,
em 2008, os
artistas exploram distintas
formas de
gerar
efeitos a
partir do
espectro
cromático. Dão,
assim,
vida à
cor, realizando
imagens abstratas, geométricas e figurativas.
Mesclam
técnicas variadas e ricas
em
significado, mostrando
que,
além das
fronteiras geográficas, existe
um
grande
país: o da
cor
Amelia Ferrari
As
formas orgânicas,
que remetem à
natureza e a
corpos, assumem uma
surpreendente
sexualidade nesta
artista, mostrando
como o
uso da
cor pode
despertar os
mais variados
sentidos.
Saber
como
trabalhar
com essas diversas
conotações é o
resultado de
um
processo
constante de
aprimoramento,
já
que a
pintura,
em
seu
sentido
primordial, pode
ser considerada
justamente a
forma
como
cada
criador
lida
com os
desafios
que a
técnica
lhe apresenta.
Arianna
Tramontano
Ao
trabalhar o
corpo
humano
sobre
um
fundo colorido, a
artista
mostra o
domínio da
arte figurativa e a coloca no
contexto
contemporâneo
como uma
forma
poética de
trabalhar os
fundos. Consegue
assim
mostrar
como é
possível
gerar
um
dinamismo
visual
caracterizado
pela
presença da
cor e
pela
sua
exploração num
contexto
que
apenas
aparentemente pode
parecer
mais
conservador. É nesse
diálogo
entre o
saber
fazer e o
sentir
que
sua
obra se
sustenta.
Carmelo D’Andrea
A
iluminação é o
grande
elemento motivador da
obra
plástica desse
artista. As
suas
imagens evocam
não
apenas uma
pesquisa no
que diz
respeito às possibilidades da
cor no
sentido de
gerar
estados da
alma,
mas,
principalmente, estabelecem
um
universo
lírico
em
que surgem as
mais variadas
conotações, nas
quais
vida e
morte se aproximam
como duas
facetas do
existir. Os
caminhos da
cor
são
veredas de uma
investigação
sobre o
próprio
ato de
criar.
Delya Dattilo
Há
muito
vigor na
forma desta
artista
lidar
com as
imagens.
Elas surgem definidas
como
filhos
que nascem
prontos
para
enfrentar os
mais variados
inconvenientes
sem se
incomodar
com
eles. Existe
em
cada
obra
um
pensamento
visível na
maneira
que as
composições
são articuladas,
sempre
em
busca de
soluções
que
não sejam fáceis,
mas
fruto de
um amadurecimento da
maneira de
trabalhar
com a
arte
como
resposta
plástica a
indagações propiciadas
pelo
ato do
convívio
com os
materiais.
Domenico Corrado
O
artista apresenta uma
técnica apurada e uma
facilidade
assombrosa na
criação dos
mais variados
ambientes.
Suas
visões
são marcadas
pelo
jogo
entre azuis e
amarelos estabelecendo uma
atmosfera na
qual a
poesia se faz
presente
em
cada
traço. Os
conjuntos transmitem
um
clima
onde a
cor
reina
absoluta. A
forma de
fazer,
com
extrema
delicadeza e
cuidado, torna-se,
sem
dúvida,
mais
importante do
que a
imagem representada
em
si
mesma.
Elena Isolani
Ocorre
aqui
um
sutil
casamento
entre a
cor e as
formas orgânicas. A
natureza oferece
padrões de
riqueza
esplendorosa,
mas é
necessário
ter
um
olhar
treinado
para
transformar o
que existe num
universo de
pesquisa
plástica.
Isso significa
desenvolver uma
maneira de
observar o entorno
sem
que
nada
passe
despercebido,
já
que
cada
imagem, acrescida
pela
cor e
suas múltiplas variações, pode
levar a
resultados
surpreendentes e de
grande
impacto
visual,
afetivo e
emocional.
Fabiola Barna
A
pesquisa
com
texturas e
pinceladas foi transformando a
obra desta
artista numa
conversa
constante
entre o
mundo
que
ela gostaria de
ver e
aquele
que
ela contempla. Surge dessa
dicotomia uma
expressão marcada
pela coloração
geralmente
em
tons
quentes.
Sua
composição aponta
para uma
intensa gestualidade e
para uma
forma de
pintar
em
que a
intuição e a
espiritualidade, acompanhadas
pela
técnica, atingem
grande expressividade.
Florentina Resende
A
artista tem
plena
consciência de
que
pesquisar e
dominar a
cor é
muito
mais
que
um
exercício. Trata-se de
um
ato
que
leva ao
conhecimento de
si
mesmo e,
principalmente, a
desvendar
novas
veredas
que a
justaposição das
cores
ou as
passagens
que
elas propiciam permitem.
Suas
obras
não necessitam de
um referencial
concreto,
pois a
principal
qualidade reside
justamente na
maneira de
construir
estruturas
graças a sutis
jogos de
transparências e criativas
composições
visuais.
Francisco
Urbano
A
pintura de
um
criador pode
ser reconhecível
por
diversos
aspectos,
como o
assunto, a
pincelada, a
cor
ou a
atmosfera obtida
em
cada
trabalho. Neste
artista, há uma
curiosa e
rica
combinação de
elementos. A
síntese deles está na
habilidade de
transformar
cada
obra num
particular
realismo
fantástico, no
sentido de
instaurar
um
universo
plástico
que se
basta
em
si
mesmo.
Ele parece
ser
um
mundo à
parte
justamente
pelo esmerado
processo
técnico
presente
em
cada
composição.
Giancarlo Baraldo
Quando se decide
ter a
cor
como
fundamento de uma
trajetória
visual, é
preciso
considerar seriamente a
capacidade de
enfrentar o
desafio de
trabalhar
com
apenas uma
ou duas delas
sobre uma
tela. A
pesquisa deste
artista
passa
pela
preocupação de
retirar do
universo da
pigmentação o
máximo
que
ele pode
oferecer. Trata-se de uma
jornada
com
mais
perguntas
que
respostas e
mais
incertezas do
que
certezas.
Cada
investigação
leva a
um
caminho
sem
volta de
aproximações e
contrastes
visuais.
José
Cunha
O
trabalho
com
elementos
geométricos pode
ser confundido
com
frieza na
construção
visual. Há uma
armadilha
que se instaura
quando se
pensa a
potencialidade,
por
exemplo, de
diversos
pequenos
quadrados. Pode-se
imaginar
que
eles limitam a
criatividade,
quando, de
fato, oferecem a
chance de
utilizar o
diálogo de
elementos
para
gerar
jogos
cromáticos
em
que a
sensação é a
forma de
instaurar
mundos
em
que o
equilíbrio percorre
com
sutil
habilidade a
fronteira
com o
caos.
José Miguens
Os
caminhos deste
artista oscilam
entre o
uso de
diversos
recursos,
como
técnicas mistas,
que incluem a
colagem, e a
predominância de colorações
fortes,
como os
vermelhos,
amarelos e
laranjas. O
uso de
transparências e a
exploração do
espaço da
tela funcionam
como uma
espécie de
campo de
combate no
qual
tudo é
possível
desde
que ocorra
com
critério, trazendo à
tona
um
trabalho
que envolve o
público
pela
forte
carga
emocional
que
comporta.
Lili Vilela
A
retomada
nos
últimos
anos de
pesquisa
sobre a
potencialidade do
corpo
humano
enquanto
objeto
estético
marca a
poética desta
artista. As
cores
que utiliza possibilitam uma
reflexão simbólica
sobre a
origem e o
fim de
todos
nós, a
terra.
Seu
gosto
pelos
movimentos
circulares
também
comporta uma
interpretação alegórica, na
qual o
movimento
ganha uma
importância
fundamental
tanto no
aspecto
visual
como pelas
conotações
que o
conceito do
eterno
retorno
comporta.
Lorenzo Basile
A
intensidade
cromática é a
principal
característica da
pintura de
um
artista voltado
para uma
pesquisa
que se
vale de
áreas delimitadas, muitas
vezes
em
curvas,
onde a
forma de
lidar
com as nuanças e
justaposições é o
principal
atrativo
plástico. A
alegria de
viver se faz
presente
em
cada
detalhe
pela
forma
como ocorre a
colocação dessas
cores e
como
elas estabelecem
conversas
visuais
em
que a
pesquisa se faz
sentir a
cada
nova
pincelada.
Luigi
Latino
Para
muitos, a
arte é
um
mistério.
Ele
aumenta
quando se escolhe
trabalhar
com a
cor
como
principal
força de
expressão.
Saber
lidar
com os
negros,
cinzas e
vermelhos exige
um mergulho no
poder de
cada
composição de
transmitir
algo
diretamente ao
público
com a
força da visualidade,
sem a intermediação da
palavra. O
poder da
pintura de Luigi está na
força da
composição e na dramaticidade das
relações estabelecidas
entre os
elementos de
cada
imagem
que gera.
Marco Ciarciaglino
A multiplicidade
de percursos
que a
cor oferece pontua o
pensamento e as
obras deste
artista.
Talvez o
seu
maior
mérito esteja na
capacidade de
explorar potencialidades no
sentido de
trabalhar
com o cromatismo
como
elemento instaurador de uma
poética
que exige
contínuo
desenvolvimento
técnico.
Aproximações e
distanciamentos de diversas
tonalidades constituem
um
elemento
fundamental
para
atingir os
efeitos desejados no
olho e na
mente do
observador.
Maria Rafael
A
obra desta
artista é visceral.
Sua
produção consegue, num
intenso
jogo de
transparências,
trabalhar a
questão da
existência
humana e da
sua
transcendência
pelo
uso
geralmente de
tons
que indicam uma
postura
intensa
perante a
vida.
Sua
arte surge
repleta de
compromisso
com a
vida,
não
como
um
mero
exercício
visual.
Cada
criação
alerta
para a
nossa
dimensão
humana e
para a
conseqüente
brevidade do
ser, do
existir e do
amar.
Monica
Lume
O
estudo da
potencialidade de uma
cor é
um dos
fundamentos das
artes
plásticas.
Perante uma
escala
cromática, existem variações
tão
grandes,
que
somente
um
artista
plástico
experiente consegue
mergulhar nesse
universo
sem se
perder. Os
trabalhos desta
artista surgem
com
plena
força,
com
espírito
indomável,
em
que
traços e grafismos alcançam
grande
inquietação,
geralmente
melhor perceptível numa
observação
mais apurada.
Paolo Vitale
A
interferência da
cor nas
imagens é a
maneira
como o
artista estabelece
sua
poética. O
lidar
com
manchas e o
uso de
cores, seja
mais
ou
menos
intenso de
acordo
com o
que julga
mais adequado,
torna o
seu
trabalho uma experimentação
contínua, numa
linha de
raciocínio
em
que uma
mera
paisagem
ganha
dimensões conotativas de
proporções dramáticas e consegue
fazer
críticas plasticamente sutis ao
caminhar muitas
vezes
desvairado da
sociedade
contemporânea.
Paula França
O
universo do
abstrato propicia
atuar
com
diversos
elementos,
como a
cor, a
linha e a
forma.
Eles costumam se
articular no
desenvolvimento de uma
pesquisa
visual. A
questão discutida
em
cada uma de
suas
telas é a da
ocupação do
espaço
como
maneira de
solucionar
um
conflito
essencial:
como a
artista pode
vencer a
barreira
entre
aquilo
que
deseja
produzir e o
que de
fato realiza. No
seu
caso
específico,
ela se
vale de uma
linguagem
que privilegia o
dinamismo
como
forma de
conhecimento do
mundo.
Paula Navarro
Uma
forma
diferente de
ver a
figura
humana diferencia o
trabalho desta
artista.
Ela se
vale de
poses consagradas na
história da
arte,
mas as coloca numa
nova
dimensão. O
corpo é
visto
como a
casa da
cor, perdendo a
sua
dimensão
carnal e se transformando,
com
sabedoria,
em
objeto
plástico a
ser desvendado
enquanto
espaço
em
que as possibilidades se tornam infinitas.
Ocorre,
assim, a valorização do
ser
humano
enquanto
reduto da
beleza
física e da
capacidade
visual de
criar
infinitamente.
Ricardo
Passos
Um
quadro
pintado
com
talento gera
diversos
caminhos de
interpretação. A
mais
fácil
geralmente é
concentrar a
atenção nas
imagens e
discutir o
que
elas representam. A
mais
apropriada, no
entanto,
para
trabalhos
como o deste
artista, é
verificar
como as
cores e o
jogo
com a
luminosidade instauram
um
universo de
emoções.
Suas
figuras femininas,
que desafiam a
magreza e a
beleza
convencionais,
são uma
prova de
como a
criação
plástica apurada pode
estar ao
lado da
crítica à
futilidade da
sociedade.
Riitta Johnson
O
elevado
impacto
que estas
obras provocam deve-se a uma
combinação diferenciada
entre a
busca da
melhor
maneira de
realizar o
trabalho e a
consecução propriamente
dita. No percurso
entre
aquilo
que se
pensa e o
que
efetivamente se faz, é
fácil
perder o
caminho. Esta
artista supera essas
inquietações
em
obras
em
que a
luz tem
um
papel
fundamental. Seja
nos
contrastes
ou nas
construções
mais delicadas, atinge
um
mesmo e
significativo
resultado, gerando
impressões
marcantes e difíceis de
esquecer.
Rose Canazzaro
A
cor pode
ser
muito
mais
que
um
recurso
artístico.
Ela tem o
potencial de
estabelecer
entre
criador e
observador
um
elo. Seja numa
visão
mais
delicada
ou no
estímulo de
confrontos
visuais, essa
comunicação desperta
emoções. Os
trabalhos desta
artista propiciam
justamente o hibridismo
entre o
contraste e a
harmonização.
Suas
obras têm
cores
vivas
que falam
entre
si
para
anunciar
que o
ser
humano,
em
suas
mais variadas
manifestações, deve
questionar
sempre os
limites do
próprio
talento.
Teresa Rebelo
O
poder da
cor é
tamanho
que pode
explodir nas
telas, destruindo
áreas e gerando
impressões
fortes no
receptor de
cada
imagem. É
pelo
uso de variações cromáticas e
pela
dinâmica da
pincelada
que a
artista realiza,
com
sua
sensibilidade e
técnica
um
depoimento
pessoal de
sua
interação
com o
mundo. Ao se
expressar pelas
tintas, constrói uma
relação
com
si
mesma e
com a
sociedade,
já
que a
arte se dá nas
frestas
entre
aquilo
que se
deseja e o
que se consegue
fazer.
Teresa Susy
Manso
A
mescla de
elementos
sensuais, místicos,
sagrados e
profanos dá ao
trabalho
plástico dessa
artista uma
dimensão
mágica. As
imagens
que
cria lidam
com as diversas
maneiras de
relacionar
cores distintas, seja
pelo
diálogo
entre
figura e
fundo
ou
pela
capacidade de
criar uma
atmosfera de
mistério. O
segredo de
sua
pintura está
em
proporcionar uma
arte
em
que a
imagem figurativa pode
ser o
ponto de
partida
para uma
interpretação colorística do
mundo.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista, é
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes (IA) da UNESP,
campus de
São Paulo e integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-Seção Brasil).