por Oscar D'Ambrosio


 

 


O multifacetado Waldomiro de Deus

 

    Quem é, afinal, Waldomiro de Deus? Conhecendo seus quadros e sua vida, encontramos um ser multifacetado. Nasce no interior da Bahia, vem como retirante para São Paulo, torna-se pinbahippie, freqüenta a movimentada Rua Augusta dos anos 60, viaja à Europa, passa a acreditar em Deus em Israel, mora numa casa enorme com um caixão em Osasco, estabelece lar em Goiânia e, acima de tudo, pinta como poucos.

    Morando hoje, em São Paulo, no bairro de Pinheiros e reconhecido como um dos principais pintores autodidatas brasileiros, Waldomiro recebe numerosos elogios de críticos nacionais e internacionais. Suas cores, seus temas, sua simbologia, sua personalidade e religiosidade se entrelaçam e se confundem. Sem escolher tema, tem no cotidiano sua grande matéria, mas também pinta o que não vê, como planetas ainda não conhecidos pela ciência e mesmo astronautas brasileiros na Lua.

    Waldomiro não é um artista. É vários. Começou retratando o folclore e passou por foguetes, críticas sociais, planetas, peixes e flores. Há também imagens sensuais e erotismo, assim como pureza e encantamento de namorados. Tudo é motivo para ele exibir uma técnica que aprendeu sozinho, sem nunca ter pisado numa escola de qualquer espécie.

    Seu trabalho, talvez não facilmente digerível num primeiro momento, é digno de maior atenção e, se nem sempre agrada, pelo menos incomoda, o que não é pouco no marasmo atual de boa parte da produção cultural brasileira, dominada por tendências que geralmente vêm do exterior e que artistas macaqueiam para atender solicitações de curadores.  

    Conhecer Waldomiro é mergulhar no universo de um criador que vai de uma Nossa Senhora de minissaia a uma alegórica travessia do milênio com corpos e rostos morenos rumo ao Brasil do ano 2050. Para Waldomiro, a vida é tudo menos estaticidade. Por isso, comporta-se como camaleão. Está sempre mudando.

    Porém, enquanto o animal muda para não ser visto no ambiente em que se encontra, fugindo dos predadores, Waldomiro funciona ao inverso. Isso significa que muda antes do meio que o cerca para ser notado. Coloca-se, portanto, na vanguarda, esperando que os que estão ao seu redor o sigam. Teremos essa capacidade?

 

    Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

artCanal

 

Outros Artistas

 

Oscar D’Ambrosio