por Oscar D'Ambrosio


 

 


Olhares poéticos sobre o meio ambiente

 

            Infinitas possibilidades

 

            Quando se menciona o termo meio ambiente, corre-se o rico de abranger tantas coisas, que se acaba por perder o foco daquilo que é essencial. Isso se torna ainda mais fascinante quando a proposta é trabalhar artisticamente com as possibilidades que o tema oferece.

Nesta exposição, as abordagens possíveis e imagináveis se ampliam. Estão reunidos aqui os jovens que desenvolvem suas habilidades artísticas na Casa Caiada 35 junto a artistas convidados, que futuramente realizarão oficinas com as crianças, introduzindo-as nas mais variadas técnicas.

Camilla Nascimento, por exemplo, age como uma autêntica senhora das terras. Ela parte de material recolhido na Bahia para, utilizando as próprias mãos, estabelecer os mais variados movimentos plásticos. Além da matéria-prima que coloca na tela, seu trabalho se diferencia pela valorização do gestual e da sensibilidade no trato com a mãe-natureza, matriz de onde viemos e para onde retornaremos.

O caminho escolhido por Carlo Cury é outro. Sua homenagem é à água. Parte das letras do Cd Mar de Sophia, interpretado por Maria Bethânia, para apresentar uma peneira com uma imagem pintada em encáustica, técnica que trabalha com a cera de abelha aquecida, em que homenageia a artista e a senhora dos mares, Iemanjá. O público, ao atar suas oferendas no objeto, participa desse grande ato de devoção à água.

Chico Tupynambá utiliza planos, transparências e o jogo entre cores e sombras para mostrar um equilibrista com a difícil missão de sustentar o mundo em suas mãos sem deixá-lo. A linha leve e o uso do símbolo da borboleta e de áreas de cor que funcionam como janelas colaboram na composição harmoniosa, mostrando como deve ser um universo melhor.

Em seu estilo primitivista, H. Hammler mostra duas figuras, ajoelhadas, que sugerem a integração racial, em posição de adoração perante a própria natureza. Ao fundo, uma árvore, com tronco que remete à mão humana, compõe o cenário, assim como diversas alusões ao meio ambiente, como a data em que ele é celebrado, 5 de junho, uma homenagem a Chico Mendes  e a presença de animais como pássaros.  

Paulo Clark oferece a obra mais lúdica da exposição. São três cubos, intercambiáveis de lugar, pintados de cinco lados. Aquilo que os une plasticamente é a linha do horizonte pintada em cada um deles, que contém uma representação própria: a natureza intocada, uma imaginada – com flores psicodélicas, oriundas da década de 1970 – e imagens dela destruídas pelo poderio humano. 

Ao observar os trabalhos das crianças e dos artistas plásticos profissionais, é possível verificar melhor como o meio ambiente é muito mais que uma  expressão que está na moda. Trata-se, de fato, de um conjunto de forças e condições que cercam e influenciam tudo que existe no planeta.

Clima, iluminação, pressão, teor de oxigênio, condições de alimentação, modo de vida em sociedade e no interior de cada um de nós precisam comungar, com propostas de educação e convivência, para a construção de uma realidade em que a arte possa, como nesta exposição, estar aliada  ao meio ambiente, num movimento recíproco de interação e compreensão mútua.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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