por Oscar D'Ambrosio


 

 


Olhares poéticos sobre o meio ambiente

na Câmara Municipal Paulista

 

            Esta exposição junta alguns dos trabalhos realizados dentro do projeto Olhares poéticos sobre o meio ambiente, que envolve pintores profissionais e alunos, da Associação Arpa – Apreciação, Reflexão e Produção Artística. O objetivo é refletir sobre os verdes da natureza, a água e os animais, enfim, sobre o meio ambiente como um todo, inclusive com a presença do homem como protetor e destruidor desse entorno.

            Os trabalhos das crianças e jovens provêm das aulas realizadas na Casa Caiada 35 e da Casa de Maria e Marta, ambas em São Paulo, SP e na sede da Arpa em Palmeira d’Oeste, interior do Estado de São Paulo. Eles são acompanhados das obras de artistas convidados, que realizaram ou farão oficinas com as crianças, introduzindo-as nas mais variadas técnicas. Assim as abordagens possíveis e imagináveis se ampliam.

Adriana Zudin, em obra com predominância do verde e amarelo, oferece a sua visão muito pessoal de eucaliptos contemplados na Califórnia, EUA, num fundo imaginário e com denso trabalho de textura. Dá assim continuidade ao seu trabalho com cores e planos, que a leva a um contínuo aperfeiçoamento da sua pintura.

Carlo Cury homenageia a água. Parte das letras do Cd Mar de Sophia, interpretado por Maria Bethânia, para apresentar uma peneira com uma imagem pintada em encáustica, técnica que trabalha com a cera de abelha aquecida, em que homenageia a artista e a senhora dos mares, Iemanjá. O público, ao atar suas oferendas no objeto, participa desse grande ato de devoção à água.

Chico Tupynambá utiliza planos, transparências e o jogo entre cores e sombras para mostrar um equilibrista com a difícil missão de sustentar o mundo em suas mãos. A linha leve e o uso do símbolo da borboleta e de áreas de cor que funcionam como janelas colaboram na composição harmoniosa, mostrando como poderia ser um universo melhor. Os trabalhos realizados pelos alunos na oficina que ele coordenou também integram a exposição.

Em seu estilo primitivista, H. Hammler mostra duas figuras. Ajoelhadas, sugerem a integração racial e estão em posição de adoração perante a própria natureza. Ao fundo, uma árvore, com um tronco que remete à mão humana, compõe o cenário, assim como diversas alusões ao meio ambiente, como a data em que ele é celebrado, 5 de junho, uma homenagem ao ambientalista Chico Mendes e a presença de animais como pássaros.  

Ao observar os trabalhos das crianças e dos artistas plásticos profissionais, é possível verificar melhor como o meio ambiente é muito mais que uma  expressão que está na moda. Trata-se, de fato, de um conjunto de forças e condições que cerca e influencia tudo que existe no planeta, sendo capaz de motivar propostas pra que a arte propicie um movimento de interação e compreensão do ser humano em relação ao local em que habita.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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