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Olhares
poéticos sobre o meio ambiente V
Ao
reunir trabalhos de crianças e adolescentes da rede pública de
ensino e de quatro artistas plásticos profissionais, esta exposição
conjuga o desenvolvimento, por intermédio da arte, do respeito aos
povos indígenas e à natureza. Realizada na Castro e Mendonça
Advogados Associados, é a quinta edição de uma ação que abrange
a criação de imagens pelos alunos da Associação Arpa (Apreciação,
Reflexão e Produção Artística). Os
trabalhos dos jovens são resultado do projeto “Vivenciando os Códigos
da Linguagem das Artes Visuais” e foram realizados durante aulas
que buscaram introduzir e promover o contato dos alunos com as artes
plásticas. Existe ainda o compromisso dos artistas convidados
realizarem oficinas com os alunos, apresentando a sua trajetória,
assim como as técnicas com as quais lidam.
A Castro
e Mendonça, ao mostrar as obras, divulga e valoriza os artistas
profissionais e o talento de jovens que demonstram habilidade para
as artes visuais. Estimula, assim, uma visão mais aprofundada do
que vem a ser a arte e como ela pode se integrar ao cotidiano de
todos nós. Cada artista convidado revela uma forma pessoal de tratar o assunto proposto. Ana Mazakina se debruça especificamente sobre a natureza. Faz uma leitura marcada pelo lirismo e pela delicadeza. Lança um olhar em que se percebe, além do apuro técnico, um respeitoso olhar sobre plantas e flores.
O fotógrafo
Daniel Patire apresenta parte de um ensaio fotográfico realizado
originalmente em julho de 2006, quanto ele participou, a convite da
Pró-Reitoria de Extensão Universitária da Unesp, do Projeto
Rondon, atuando na cidade de Jordão, Estado do Acre. O foco recai
na pureza e sensibilidade da vida em família de uma comunidade
Kaxinawá. Mary Ricci preferiu cenas do Pantanal. Seu díptico traz a importante informação da força desse ambiente e da sua intensa beleza. Não há discurso que seja mais eloqüente do que as imagens que cria para revelar um dos locais onde a natureza ainda pode ser encontrada em seu estado mais belo.
Max
Bueno coloca seu fazer de reconhecida competência em harmonia com o
respirar da cultura indígena. Sua elaboração é uma mescla de
extrema sensibilidade e rigor no uso dos materiais. Isso lhe permite
verificar nuances e captar a essência de povos que dialogam com o
meio ambiente em distintos graus de harmonia, dependendo do caso.
A exposição
conta ainda com um trabalho especial, intitulado Eutonia
com arte, realizado por três alunos, coordenados pela
professora Nelma Firmiano. A pesquisa, dentro dos princípios da
idealizadora da eutonia, Gerda Alexander, busca ampliar o
conhecimento dos ritmos, sensibilidades, emoções, tensões e
posturas corporais presentes no movimento humano.
A
eutonia procura o tônus e a postura adequados às ações do
cotidiano. Analogamente, os trabalhos dos quatro artistas plásticos
e das crianças reforçam a conquista de uma autonomia pessoal, visível
nas obras plásticas que alertam para a questão indígena, o
aperfeiçoamento humano e a necessidade de preservação do meio
ambiente.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre
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