por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

 
 

 

 

Olhares poéticos sobre o meio ambiente V

 

Ao reunir trabalhos de crianças e adolescentes da rede pública de ensino e de quatro artistas plásticos profissionais, esta exposição conjuga o desenvolvimento, por intermédio da arte, do respeito aos povos indígenas e à natureza. Realizada na Castro e Mendonça Advogados Associados, é a quinta edição de uma ação que abrange a criação de imagens pelos alunos da Associação Arpa (Apreciação, Reflexão e Produção Artística).

Os trabalhos dos jovens são resultado do projeto “Vivenciando os Códigos da Linguagem das Artes Visuais” e foram realizados durante aulas que buscaram introduzir e promover o contato dos alunos com as artes plásticas. Existe ainda o compromisso dos artistas convidados realizarem oficinas com os alunos, apresentando a sua trajetória, assim como as técnicas com as quais lidam.

            A Castro e Mendonça, ao mostrar as obras, divulga e valoriza os artistas profissionais e o talento de jovens que demonstram habilidade para as artes visuais. Estimula, assim, uma visão mais aprofundada do que vem a ser a arte e como ela pode se integrar ao cotidiano de todos nós.

            Cada artista convidado revela uma forma pessoal de tratar o assunto proposto. Ana Mazakina se debruça especificamente sobre a natureza. Faz uma leitura marcada pelo lirismo e pela delicadeza. Lança um olhar em que se percebe, além do apuro técnico, um respeitoso olhar sobre plantas e flores.

            O fotógrafo Daniel Patire apresenta parte de um ensaio fotográfico realizado originalmente em julho de 2006, quanto ele participou, a convite da Pró-Reitoria de Extensão Universitária da Unesp, do Projeto Rondon, atuando na cidade de Jordão, Estado do Acre. O foco recai na pureza e sensibilidade da vida em família de uma comunidade Kaxinawá.

Mary Ricci preferiu cenas do Pantanal. Seu díptico traz a importante informação da força desse ambiente e da sua intensa beleza. Não há discurso que seja mais eloqüente do que as imagens que cria para revelar um dos locais onde a natureza ainda pode ser encontrada em seu estado mais belo.

             Max Bueno coloca seu fazer de reconhecida competência em harmonia com o respirar da cultura indígena. Sua elaboração é uma mescla de extrema sensibilidade e rigor no uso dos materiais. Isso lhe permite verificar nuances e captar a essência de povos que dialogam com o meio ambiente em distintos graus de harmonia, dependendo do caso.

            A exposição conta ainda com um trabalho especial, intitulado Eutonia com arte, realizado por três alunos, coordenados pela professora Nelma Firmiano. A pesquisa, dentro dos princípios da idealizadora da eutonia, Gerda Alexander, busca ampliar o conhecimento dos ritmos, sensibilidades, emoções, tensões e posturas corporais presentes no movimento humano.

            A eutonia procura o tônus e a postura adequados às ações do cotidiano. Analogamente, os trabalhos dos quatro artistas plásticos e das crianças reforçam a conquista de uma autonomia pessoal, visível nas obras plásticas que alertam para a questão indígena, o aperfeiçoamento humano e a necessidade de preservação do meio ambiente.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio

 

 

 

 

 

 

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