por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

O impulso visceral de Gilberto Salvador

           

         Geralmente qualificado de pintor, desenhista, gravador ou arquiteto, Gilberto Salvador prefere ser chamado de artista plástico. Afinal, a sua linguagem visual se reveste de uma poética marcada pela intersecção entre as artes. Há, em seus trabalhos, a expressão de um pensamento em que predomina o hedonismo criativo.

            Isso significa ver toda oportunidade como um processo de construção em que o prazer precisa estar presente, sem cair em padrões repetitivos. O erotismo, que aparece em diversos trabalhos, como o álbum de litogravuras  Cantárida, editado pelo autor em 1982, surge também na série Ninfas.

 Salvador oferece a sua visão de um tema clássico na cultura ocidental. A ninfa que mostra nesta exposição é uma combinação de elementos expressivos. Está lá o espelho, alusão à vaidade, à tela, que remete aos clássicos da pintura, uma fenda, clara alusão ao genital feminino, e um traço diagonal, que introduz um elemento surpresa.

            Assim como as ninfas (do grego nimphe, que significa “noiva”) são alvo da luxúria dos sátiros, estando ligadas à beleza e à força fecundante da natureza, a peça exposta por Gilberto Salvador possui força vital. Sua obra se alimenta de um impulso visceral que o mantém vivo e se reproduz na forma dos mais variados objetos plásticos.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 



 

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