por Oscar D'Ambrosio


 

 


Saulo Mota

 

            O império da cor

 

            O lidar com a cor é a tônica do trabalho plástico de Saulo Mota. O poder de suas pinturas está no uso das tonalidades e vibrações cromáticas para traduzir os sentimentos das figuras retratadas, evidenciando os mais diversos tipos de emoção, explorando o que a cor tem de melhor: a possibilidade de sugestão de estados de espírito.

Saulo cria atmosferas por meio da tinta acrílica, que utiliza, além da tela, em outros suportes, como cerâmicas e tecidos. O desafio está na busca estilística de atingir o máximo possível de gradações em busca de uma forma de expressão que gere inesgotáveis matizes.

 A jornada conduz a um futuro em que a cor em si mesma pode se tornar o objeto da pintura. Assim não será mais necessária a presença de um assunto, como mulheres ou a natureza. O próprio trabalho plástico terá sua raiz nessa exploração da cor como uma linguagem a multiplicar possibilidades.

O valor das cores adquire uma perspectiva expressiva e psicológica. O pintor as utiliza com pinceladas muitas vezes espiraladas, que fortalecem a idéia de que o tempo é cíclico e que o mundo, a natureza e nós mesmos estamos em constante movimento. Esse dinamismo, por meio da cor e do gesto, acentua o impacto das obras.       

            Saulo Mota apresenta uma saudável inquietação em cada tela. A pesquisa constante leva a uma nova esfera plástica, em que o desenho aprimorado e o império da cor, com seu ambivalente poder destruidor e construtor, permitem uma visão de mundo cada vez mais renovada.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).

 

 

 



 

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