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-
- O festival de cores
de H. Hammler
As cores vivas em tonalidades quentes são uma das principais
características do pintor brasileiro H. Hammler. Ao tomar algumas
temáticas nacionais, como o folclore, atinge resultados plásticos
caracterizados pela justaposição de imagens, em conjuntos marcados
pelo dinamismo, com diversos temas originários de suas raízes
nordestinas.
Nascido em Limoeiro, Estado de Pernambuco, em 9 de outubro de 1955,
oriundo de uma família com nove irmãos, ele começou a desenhar
aos sete anos e, aos 20, pintou uma paisagem que seria seu primeiro
quadro a óleo. A partir daí, nunca deixou de pesquisar novos
caminhos e técnicas, chegando ao estilo atual, em que representa
festas populares brasileiras e o universo do cangaço com um olhar
bastante especial.
Residente no Bairro Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, SP,
desde 1979, Hammler apresenta alguns elementos marcantes. Um deles são
as pequenas casas que surgem na parte superior das telas, em
diversas cores, com antenas parabólicas apontando em várias direções.
Trata-se da visão artística de uma imagem que o artista captou em
Itabuna, Estado da Bahia.
Perplexo com o fato de casas uniformes de pessoas de poucas posses
terem, em sua maioria, antenas parabólicas, ou seja, elos de conexão
com o mundo globalizado, solucionou plasticamente a força motriz
que o motivou ao pintar residências construídas a partir de
simples formas geométricas, edificadas com linhas de
contornos bem definidos.
Um dos assuntos bastante presentes é o bumba-meu-boi. A festa
popular é trabalhada com cores bem contrastantes, transmitindo dois
sentimentos importantes: o dinamismo e a alegria. O uso do preto
revela-se fundamental, já que a cor funciona como suporte de todas
as outras, colaborando para o equilíbrio do quadro.
Outra imagem muito presente é a de cangaceiros. Símbolos da
cultura nordestina e da valentia de um povo, assim como da rebeldia
e busca por justiça, essas figuras surgem geralmente como uma forma
de homenagem a alguma pessoa de renome público ou das relações
pessoais do pintor.
A predominância de elementos ímpares nos quadros é um dado
curioso. Seja nas figuras, casas, antenas parabólicas, cães,
carrinhos de venda de raspa-raspa, galinhas que homenageiam o Porto
de Galinhas, em Pernambuco, ou outros elementos, o número
homenageia a própria família do artista, composta dele, da esposa
e de uma filha.
O desafio de unir a composição equilibrada com a multiplicidade de
cores constitui a base da pintura de H. Hammler. Cada vez que sai
vitorioso, leva com sucesso aspectos da cultura brasileira para a
sua pintura. Isso é feito pelas cores vivas e alegres e pela mescla
de pessoas brancas, morenas e negras, vestidos coloridos das
mulheres e, principalmente, pela liberdade cromática nos adereços
de cada bumba-meu-boi que retira do seu imaginário para colocar,
com vida renovada, em suas telas.
Oscar D´Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo
Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de
Críticos de Artes (AICA).
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