O
falar das cores
As
cores falam pela sua capacidade de se comunicar com o observador
dos quadros. Isso acontece não só pelo primor técnico, mas também
pela capacidade de cada artista de viver intensamente a sua produção.
Na exposição “O falar das cores”, na Casa Caiada 35, em São
Paulo, SP, de 3 a 11 de outubro, as pintoras Gláucia Gomes e
Roberta Fialho mostram que têm em comum justamente esses dois
elementos: encontram na cor um vigoroso meio de expressão e
tornam cada quadro um depoimento de sua relação com o mundo.
Glaucia
Gomes pertence ao rol
dos artistas que produz muito e com alegria, quase de forma
incessante. Seus trabalhos provêm, em parte, das viagens que
realiza a sua cidade natal ou a outros estados brasileiros, mas
sempre com a preocupação de atingir um resultado mais apurado em
cada obra.
A
produção de Roberta Fialho, por sua vez, tem no desenho a matriz
de sua criação. Gradativamente, ele deixou de ser uma diversão,
como era na infância, e se tornou um projeto de vida, um
constante esboço de exposições e a busca perene de uma
linguagem própria. Nos traços e linhas, encontra a sua visão
desse universo que chamamos realidade.
Nas
obras de ambas, as cores falam. O tom é o da abertura de novos
caminhos e da consciência de que a arte de qualidade é uma
maneira de ordenar o caos exterior. Glaucia, com suas paisagens de
cores justapostas, e Roberta,
com suas imagens de inspiração oriental, dão a sua resposta.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo
Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção
Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov
(Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor
naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do
Estado de São Paulo).