O erotismo plástico de
Washinton Arléo
O erotismo de
alguns trabalhos do artista plástico Washington Arléo não incorre no risco
da vulgaridade ou do vazio discursivo. Destaca-se na exploração do tema a
apropriação de imagens como fotografias e notícias de jornal e a forma de
composição, marcada por uma fragmentação muito própria da arte
contemporânea.
O
assunto,
por
si
mesmo,
já é polêmico e
fascinante. A
arte, ao
encontrar o
erotismo, ultrapassa o
mero
prazer dos
sentidos. Entra no
mundo do simbólico. A
maneira de Arléo
abordar o
assunto permite os
mais
diversos
rumos, dos figurativos aos alegóricos.
São apresentadas
novas
dimensões
pela
utilização de
recursos
visuais
como a
criação de
elementos,
cores e
formas.
O
artista revisita o
erótico, estimulando o
olhar
com
corpos
nus,
em ousadas
posições. O
público tem
assim a
oportunidade de
rever
seus
próprios
conceitos, contemplando
imagens
que podem
gerar
desde o
mero
prazer guiado
pelo
instinto ao
medo e a
culpa de
enfrentar o
novo. A
proposta é
encarar os
tabus
com
talento.
Basta
lembrar
que o
erótico e o
artístico andam historicamente
lado a
lado.
Não é
por
acaso
que Eros, o mítico
filho de Afrodite, deusa do
amor, é representado
como
um
menino
irresponsável a
lançar as
suas
flechas
pelo
mundo. Essa
mesma
liberdade
criativa é a
que identifica os
artistas
plásticos de
qualidade.
Sua
principal
característica,
como ocorre
com Arléo, é a de
não se
acomodar
perante o
status quo.
Não se trata de chocar ou de
agredir, mas de seduzir e encantar pela capacidade de lançar um olhar
diferenciado à realidade. O artista, perante o erótico, vê aquém e além de
Eros. Não se despe do prazer que a divindade grega proporciona, mas também
não se deixa dominar por ela.
Washington Arléo consegue,
pela
mescla de
frases de
escritores
como Fernando
Pessoa
com
imagens
que exaltam o
prazer dos
sentidos,
aliar
domínio
técnico,
intuição e
raciocínio. Proporciona
assim novas
visões identificadas
pela
presença da
arte
em
seu
sentido
mais
pleno,
ou seja,
como
um
caminho
infinito de
rever plasticamente o
mundo e os
mais variados
assuntos, percorrendo
com
talento as complexas
fronteiras
entre o
amor, a
sexualidade e o
erotismo.
Oscar D’Ambrosio, jornalista
e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a
Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).