O
prazer de criar
“O
prazer é único, não se repete. A alegria repete-se sempre.
Basta lembrar”. O pensamento do escritor e teólogo Rubem
Alves permite conhecer melhor a obra do escultor goiano Odon
Nogueira. Há em seu trabalho justamente a expressão constante
desse prazer no ato de modelar a argila e o barro.
Ao
se observar as suas esculturas, a referência a Antonio Poteiro,
que considera seu mestre e principal influência, se faz
presente. Ela surge não apenas por ambos atuarem no mesmo
Estado, mas pela própria maneira de trabalhar o material em
busca de significativos e relevantes resultados estéticos.
Existe
em ambos uma habilidade natural de expressar idéias com formas.
Nesse sentido, Odon revela uma grande
capacidade narrativa, que impressiona justamente por ela
evidenciar a alegria na ação de criar. Esse instante, como
alerta Alves, é único. Trata-se de um momento em que o artista
se aproxima de Deus na capacidade de gerar um novo ser apenas
com a mente e as mãos.
As
esculturas de Nogueira têm a capacidade intrínseca de
expressar uma visão de mundo peculiar, na qual se afasta do
mestre Poteiro, pela somatória de elementos, principalmente na
parte inferior das esculturas, que portam intensa simbologia,
evidenciando a sua maneira de interpretar o mundo.
O
maior mérito de Odon Nogueira está na capacidade de conjugar
idéias em suas obras escultóricas. Cada peça envolve um
conjunto de imagens que apresenta uma narrativa ímpar. Os
elementos se integram numa linguagem diferenciada que busca, com
honestidade e competência técnica, um modo cada vez mais forte
e prazeroso de construir uma poética expressiva própria.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de
Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos
de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando
a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).