por Oscar D'Ambrosio


 

 


Odon Nogueira

 

            O prazer de criar

 

            “O prazer é único, não se repete. A alegria repete-se sempre. Basta lembrar”. O pensamento do escritor e teólogo Rubem Alves permite conhecer melhor a obra do escultor goiano Odon Nogueira. Há em seu trabalho justamente a expressão constante desse prazer no ato de modelar a argila e o barro.

            Ao se observar as suas esculturas, a referência a Antonio Poteiro, que considera seu mestre e principal influência, se faz presente. Ela surge não apenas por ambos atuarem no mesmo Estado, mas pela própria maneira de trabalhar o material em busca de significativos e relevantes resultados estéticos.

            Existe em ambos uma habilidade natural de expressar idéias com formas. Nesse sentido, Odon revela uma grande  capacidade narrativa, que impressiona justamente por ela evidenciar a alegria na ação de criar. Esse instante, como alerta Alves, é único. Trata-se de um momento em que o artista se aproxima de Deus na capacidade de gerar um novo ser apenas com a mente e as mãos.

            As esculturas de Nogueira têm a capacidade intrínseca de expressar uma visão de mundo peculiar, na qual se afasta do mestre Poteiro, pela somatória de elementos, principalmente na parte inferior das esculturas, que portam intensa simbologia, evidenciando a sua maneira de interpretar o mundo.

            O maior mérito de Odon Nogueira está na capacidade de conjugar idéias em suas obras escultóricas. Cada peça envolve um conjunto de imagens que apresenta uma narrativa ímpar. Os elementos se integram numa linguagem diferenciada que busca, com honestidade e competência técnica, um modo cada vez mais forte e prazeroso de construir uma poética expressiva própria.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 
 

 

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  Como Deus nos vê  
peça em argila argila 65 x 45 cm 2005

Odon Nogueira

 

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