Odete
Venâncio
A unidade na
diversidade
Quando se
pensa no exemplo de uma pintora que realiza grande diversidade
de trabalhos, sendo a maioria caracterizada pela unidade da
riqueza técnica, o nome de Odete Venâncio se destaca. O seu
trabalho, principalmente, ao se voltar para a temática indígena,
é portador de grande dose de competência e sensibilidade.
Nascida em
Presidente Venceslau, SP, mas radicada em Cuiabá, MT, Odete
começou a sua carreira motivada pelo desejo de se aprofundar
nas artes plásticas, fator que a levou a realizar vários
cursos de aperfeiçoamento. Esses estudos geraram manifestações
plásticas contundentes.
Além
de pintora, Odete atua como poeta e escultora. Pinta todos os
estilos, desde o acadêmico ao contemporâneo. Professora de
artes, sua obra apresenta um compromisso estético com a pintura
figurativa e, principalmente nos trabalhos inspirados pela
cultura da região onde habita, atinge grande expressividade.
Os
rostos dos índios são de uma intensidade peculiar. Ao criar
cada um deles, a cultura local surge com toda força. A
habilidade da artista no ato de estabelecer plasticamente cada
imagem oferece a possibilidade de conhecer um pouco mais não só
da cultura, mas também do modo de pensar de cidadãos tão
importantes para a história nacional e tão maltratados
historicamente.
A série
da artista sobre palhaços merece destaque por ter uma ousadia
maior de composição e uma liberdade maior nas angulações e
maneiras de abordar o tema. Um caminho futuro pode ser
justamente se valer dessa maneira de trabalhar o objeto pictórico
nos trabalhos mais consolidados
sobre índios.
Em
trabalhos como Proseando,
em que um homem fumando um cigarro de palha está junto à
janela de um rancho, dentro do qual está uma mulher com traços
indígenas, ou
naquelas imagens em que surge, em diversas interpretações, a
viola de cocho, um elemento simbólico da cultura do Pantanal,
Odete alcança momentos de grande lirismo e se revela como uma
conhecedora da cultura regional.
Ao mostrar
domínio técnico e, principalmente, uma forma peculiar, plena
de densidade, na representação dos índios brasileiros da região
Centro Oeste, Odete Venâncio conquista um posto importante na
cultura do Mato Grosso e do país. Seus personagens autóctones
e figuras regionais são bons exemplos de como a arte figurativa
pode – e merece – espaço dentro das manifestações
contemporâneas.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes
Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de
São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos
de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando
a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)