por Oscar D'Ambrosio


 

 


Odete Venâncio

 

            A unidade na diversidade

 

            Quando se pensa no exemplo de uma pintora que realiza grande diversidade de trabalhos, sendo a maioria caracterizada pela unidade da riqueza técnica, o nome de Odete Venâncio se destaca. O seu trabalho, principalmente, ao se voltar para a temática indígena, é portador de grande dose de competência e sensibilidade.   

            Nascida em Presidente Venceslau, SP, mas radicada em Cuiabá, MT, Odete começou a sua carreira motivada pelo desejo de se aprofundar nas artes plásticas, fator que a levou a realizar vários cursos de aperfeiçoamento. Esses estudos geraram manifestações plásticas contundentes.

            Além de pintora, Odete atua como poeta e escultora. Pinta todos os estilos, desde o acadêmico ao contemporâneo. Professora de artes, sua obra apresenta um compromisso estético com a pintura figurativa e, principalmente nos trabalhos inspirados pela cultura da região onde habita, atinge grande expressividade.

            Os rostos dos índios são de uma intensidade peculiar. Ao criar cada um deles, a cultura local surge com toda força. A habilidade da artista no ato de estabelecer plasticamente cada imagem oferece a possibilidade de conhecer um pouco mais não só da cultura, mas também do modo de pensar de cidadãos tão importantes para a história nacional e tão maltratados historicamente.

            A série da artista sobre palhaços merece destaque por ter uma ousadia maior de composição e uma liberdade maior nas angulações e maneiras de abordar o tema. Um caminho futuro pode ser justamente se valer dessa maneira de trabalhar o objeto pictórico nos trabalhos mais  consolidados sobre índios.

            Em trabalhos como Proseando, em que um homem fumando um cigarro de palha está junto à janela de um rancho, dentro do qual está uma mulher com traços indígenas,  ou naquelas imagens em que surge, em diversas interpretações, a viola de cocho, um elemento simbólico da cultura do Pantanal, Odete alcança momentos de grande lirismo e se revela como uma conhecedora da cultura regional.  

            Ao mostrar domínio técnico e, principalmente, uma forma peculiar, plena de densidade, na representação dos índios brasileiros da região Centro Oeste, Odete Venâncio conquista um posto importante na cultura do Mato Grosso e do país. Seus personagens autóctones e figuras regionais são bons exemplos de como a arte figurativa pode – e merece – espaço dentro das manifestações contemporâneas.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)
 
 

 

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Índio com pote
óleo sobre tela - 60 x 80 cm - sem data
 
Odete Venâncio

 

 

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