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O caminho do fazer de José
Grassi
A atividade artística exige, acima de tudo, uma certa disciplina. Não
basta ter talento e achar que as exposições e o reconhecimento virão
naturalmente. É na prática cotidiana do ofício e no rigor no enfrentamento
com o próprio trabalho que as possibilidades vão progressivamente se
abrindo.
Nascido em Avaré, SP, José Eduardo Grassi revela a qualidade da
inquietação artística desde os seus primeiros quadros. Sua busca por
resultados cada vez mais significativos se dá pela maneira como se dedica
a obter dos materiais o máximo possível.
Seja nas naturezas-mortas, que realiza tanto com espessas camadas de tinta
a óleo ou com pinceladas mais curtas e simétricas, estabelecendo uma
atmosfera mais delicada, ou em cenas de mulheres se banhando próximas a
uma cascata ou na imagem de um artista no ateliê, há o mesmo rigor.
Fernando Pessoa diz que “O Homem é o tamanho do seu sonho”. José Grassi
traz em si a dimensão da pintura como uma expressão autêntica de um estado
de espírito perante o mundo, presente ainda na reprodução de um dos muitos
auto-retratos de Rembrandt colada atrás da porta do seu ateliê.
Nessa imagem, está condensada o futuro do jovem artista de Avaré: adensar
a sua pintura, feita de massas e pinceladas seguras em direção a uma
construção visual caracterizada pelo estudo do ato de pintar em si mesmo,
deixando o assunto em segundo plano.
Afinal, como os mestres ensinam, a grande arte surge, no fundo, sempre da
capacidade de levar aquilo que se tem de melhor dento de si mesmo para a
tela. Somente assim é possível gerar um impacto que cative o observador à
primeira vista e em gradativas visões mais aprofundadas.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de
Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-
Seção Brasil).
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