Daniel Patire
Nos
meus
dias de
glória, a
platéia estava
vazia
Um dos
grandes
dilemas do
ser
humano
contemporâneo é a
vida
em
metrópoles
como
São Paulo,
que
completa 455
anos
em 25 de
janeiro de 2009. A
grande
questão
que se coloca é a do
indivíduo
perante a
coletividade.
Como
manter a
essência de
si
mesmo
diante de
grupos
progressivamente massificados
pela
influência dos
meios de
comunicação e
pelo
próprio
andar
cotidiano na
urbanidade?
O
caminhar na
cidade ergue a
problemática do
que significa de
fato
estar
só
ou
acompanhado. O
fotógrafo Daniel Patire, na
exposição “Nos
meus
dias de
glória, a
platéia estava
vazia”, inaugurada, no
Reserva Cultural, na
avenida
Paulista,
justamente no
aniversário da
cidade, estabelece
um
diálogo
visual
com a
realidade
em
que
esse
assunto é
tratado
sem
dor
ou
melancolia.
Há
em
seus
trabalhos a
amplidão dos
vazios das
madrugadas, a
luminosidade
que se faz
presente
pela
manipulação do
tempo de
exposição das
imagens e o
movimentar da
máquina
fotográfica
para
gerar sobreposições. A
São Paulo
que surge está marcada,
por
um
lado,
pelos
vazios de
espaço
mágicos e
amplos
mesmo
sem a
presença
humana e,
por
outro,
pela
multidão
anônima
que se desloca num
manancial
inesgotável de
histórias e
emoções.
Nessa
linha de
pensamento, a
massa
amorfa se cristaliza
como
um
conjunto – e muitas
vezes esquecemos
que
são
pessoas
que integram
esse
todo. O
conjunto de
imagens de Daniel Patire, seja
nos
cheios
ou
nos
vazios, indaga plasticamente
como vivemos numa
sociedade
em
que somos
cada
vez
mais
meros
números
sujeitos a uma
convulsão de
idéias.
Atitudes,
referências e
objetos
que vêm de
fora
para
dentro
vão se ajustando de
modo a
nos
conformar
enquanto
seres
humanos, trazendo interrogações
sobre a
convivência
urbana e globalizada
contemporânea. Uma possibilidade,
oriunda das
imagens e do
título da
exposição, é
que
nada seja
como parece e
que a
grande
glória – se esta existe – se faz
presente nas
platéias vazias,
pois
talvez estas
sim estejam repletas de
significado.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).