por Oscar D'Ambrosio


 

 


Norma Tamaoki

 

Arte em cerâmica

           

            Quando se pensa em cerâmica enquanto atividade de produção de artefatos a partir de diversos tipos de argila, há dois grandes caminhos a seguir. Um deles é a atividade artística propriamente dita, em que são produzidos objetos com valor puramente estético; outro é a atividade em que copos, canecas, pratos e outros projetos são criados com valor apenas utilitário. Norma Tamaoki transita justamente nessa densa intersecção entre o objeto que pode ser utilizado, mas que encanta pelo valor artístico que comporta.

            A técnica que utiliza em suas produções é a corda seca, originária dos incas, que consiste, hoje, em riscar com grafite a superfície dos utensílios, pintar as áreas internas com tinta esmalte e queimar as peças em fornos elétricos ou a gás. O desafio é realizar essa operação mantendo a qualidade do trabalho e uma certa originalidade na expressão artística.

            É nesse ponto que entra o talento de Norma. Nascida em Ibicuí, Estado da Bahia, ela mora em São Paulo desde 1969 e começou a trabalhar com cerâmica no final da década seguinte. Com mais de 20 anos de experiência, foi na chamada corda seca que ela encontrou uma autêntica maneira de expressão.

Afinal, seu grafitismo aplica-se muito bem à reprodução de obras de arte em que a linha e as cores vibrantes são elementos fundamentais. Seu domínio técnico logo chamou a atenção, levando-a a transportar para a cerâmica os trabalhos de artistas como Romero Britto e, mais recentemente, com exclusividade, os de Tarsila do Amaral, comercializados no Museu de Arte de São Paulo, e os do artista plástico Jurandi Assis. 

            O fato que levou a obra de Norma a ser aceita no mercado como uma versão em cerâmica de trabalhos de artistas famosos é a competência que adquiriu ao longo de sua prática profissional. Aprendeu, inclusive, a saber o que a “corda seca” permite. Assim, no ato de preparar seus atuais trabalhos sabe que, dependendo da pintura original do artista, terá que fazer certas simplificações ou adaptações.

            Isso não compromete o trabalho dela. Muito pelo contrário. Saber profundamente o potencial e as limitações da técnica utilizada é sempre um grande mérito. Afinal, o grande desafio de partir de um original e saber ser fiel a ele, sem trair a sua essência.

            Para atingir essa maestria, torna-se importante compreender não a imagem de um quadro, mas o seu processo de composição e lógica internas. Ao obter tal conhecimento, como ocorre nas leituras que faz em cerâmica do trabalho de Jurandi Assis, Norma Tamaoki mostra que a atividade artística pode se fundir com a utilitária, desde que a pessoa responsável por esse desafio saiba caminhar, como ela, pelas duas veredas com a mesma desenvoltura.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Claudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

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cerâmica
técnica da corda seca
prato a partir de quadro de Tarsila do Amaral
sem data

Norma Tamaoki

 

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