por Oscar D'Ambrosio


 

 


Norberto Conti

 

            O mistério do tempo

 

            O fascínio da pintura está nas infinitas possibilidades que oferece de interpretar o mundo, criando, em cada quadro, uma realidade própria, uma verdadeira porta para expressar algum tipo de conhecimento sobre o que se sente. Nesse aspecto, as obras de Norberto Conti proporcionam um rico universo de estudo.

            Há, pelo menos, três fascinações temáticas evidenciadas, o xadrez, com seu ícone Bobby Fischer, certamente um dos maiores de todos os tempos, a personagem Alice, com suas alusões ao País das Maravilhas e aos numerosos sentidos do espelho como forma de conhecer ao mundo.

            Há ainda uma terceira vertente vinculada ao físico Erwin Schrödinger, que, nas suas pesquisas em mecânica quântica, estabeleceu o célebre paradoxo que envolve a figura de um gato dentro de uma caixa fechada ameaçado de morrer a qualquer momento. Porém, como nada é considerado real se não for observado, com igual chance de estar vivo ou morto.

            Essa tríade temática plástica, por intermédio de uma pintura a óleo bem realizada na busca de soluções cromáticas, camadas e transparências, lida, acima de tudo, com o mistério do tempo e do espaço. As peças de xadrez, os tabuleiros ondulados e as torres associadas com os moinhos de Dom Quixote constituem um manifesto visual sobre o relativismo de tudo aquilo que nos cerca e sobre o que imaginamos que existe.  

            A pintura de Norberto Conti é uma realidade em si mesma. Seu principal valor está na maneira de conceber o espaço da tela como um amplo universo lúdico, não como um espelho do que se conhece, mas enquanto campo de criação dos mistérios da existência.

            Por isso, Alice é tão importante. A jornada dela e o encontro com os mais variados personagens, assim como sua participação direta num inusitado jogo de xadrez, envolve a poética do pintor argentino. Afinal, Bobby Fischer não deixa também de ser um personagem no tabuleiro do jogo da vida.

            Conti cria constantes interrogações numa prática pictórica bem realizada. Consegue ser autêntico ao estilo que abraça, mas fiel à tradição da boa arte, ou seja, aquela feita num indagar constante de soluções técnicas e de questionamentos sobre o sentido da vida, a onipresença da morte e sobre as conseqüências da passagem do tempo.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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 Schrödinger's Cat II
óleo sobre tela 100x 120 cm sem data

Norberto Conti

 

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