por Oscar D'Ambrosio


 

 


Nilma Manfrinato

 

            A natureza em aquarela

 

            As maravilhas da natureza já inspiraram diversos artistas. Entre os escritores, por exemplo, o francês Honoré de Balzac, no século XIX, ao verificar a convivência harmoniosa, no ambiente natural, entre as belas flores e os não tão formosos sapos, declarou: “Quando se observa a Natureza, descobre-se nela zombarias de uma ironia superior”.

Surge assim um grande desafio para os artistas plásticos devotados ao ambiente natural. Por um lado, tem o desafio técnico de lidar com indizíveis belezas; por outro, a natureza apresenta ainda numerosas imperfeições. Surge então a interrogação: elas devem ser levadas para a tela, corrigidas ou simplesmente ignoradas.

A aquarelista Nilma Manfrinato mostra bem como é possível tratar diversos temas com uma constância estética e de propósito admirável. Em suas obras, há tanto cenas de harmonia entre o ser humano e a natureza, além de imagens poéticas sobre movimentos do corpo humano, ancoradouros, pássaros, naturezas-mortas, cenas noturnas e flores.

            Nascida em Quintana, SP, Nilma Manfrinato cursou Educação Artística, com formação em música (piano e acordeon) na Faculdade Santa Marcelina (Fasm), em São Paulo. De 1958 a 1964, enveredou pelo desenho livre e pintura a óleo, principalmente rostos de bebês, tendo, posteriormente, experimentado a pintura sobre madeira, entre outras artes, como tapeçaria e bordado.

O seu grande encontro com a arte pictórica, no entanto, ocorreu quando freqüentou, de 1986 a 1990, o curso de aquarela na Fasm, sob a orientação de Iole Di Natale e Ivani Ranieri de Castilho, cujo ateliê voltou a freqüentar após dez anos de afastamento. Desenvolveu então trabalhos em que revela o seu amor pela natureza e pelas suas cores.

            A atividade artística começou a ser apresentada em diversas exposições, com destaque para a medalha de prata obtida no XI Salão de Artes da Universidade São Judas Tadeu – SP, em 1992. Atualmente, aposentada, costuma ouvir música erudita enquanto realiza arranjos para música ou pinta as suas aquarelas.

            A busca de um constante aprimoramento técnico é uma das principais características da artista. Além do contato com Ivani e outras aquarelistas, Nilma busca não só pesquisar novas formas de expressão, como acompanha exposições, justamente para conhecer o que vem sendo feito.

            Na prática contínua de integrar a arte ao seu dia-a-dia, a artista, católica praticante realiza, entre outros trabalhos, imagens sobre arte sacra, tema não muito comum no universo da aquarela. Dessa maneira, prova como o esmero e a constante busca de novas soluções técnicas necessita acompanhar o artista ao longo de sua carreira.

            A temática preferida de Nilma são flores, dispostas ao ar livre ou em arranjos no interior de casas. Nessa linha, apresenta ampla exuberância de cores e um sutil jogo de combinações em que ao amarelo, o azul e o vermelho, em diversas tonalidades, ganham sucessivo espaço. 

            A artista, que participa de um conjunto de acordeon há dez anos, tendo inclusive um CD gravado, mesmo quando enfoca os seres humanos, os coloca em ambientes que se destacam pela combinação cromática atingida. A predominante preocupação de trabalhar sempre em busca de desenvolvimento gera, ano a ano, resultados estéticos cada vez mais aperfeiçoados.  

O poeta norte-americano Ralph Wando Emerson (1803-1882) já dizia que “A Natureza é uma nuvem mutável, sempre e nunca a mesma”. Analogamente, as aquarelas de Nilma Manfrinato conseguem captar essas nuances, trabalhando as cores de modo que mesmo as imperfeições encontradas no mundo, apontadas por Balzac, ganham, por meio de seu apurado trabalho, uma dimensão estética – que busca compartilhar com o observador – e uma sutil e onipresente mensagem: a de que o ser humano possa ser conscientizado a não destruir a beleza natural que resta.        

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra dopintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

 

 

 

 

 

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V - Série Flores

Aquarela - 50x34 cm - 2002

Nilma Manfrinato

 

 

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