por Oscar D'Ambrosio


 

 

 


Natal pelo mundo

 

            Embora tenha sua origem no ano 273, instituída pelo Imperador Aureliano, de Roma, o primeiro registro oficial que se conhece do Natal é do ano 354. De lá para cá, a festa disseminou-se por todo o planeta. Neste texto, você vai conhecer os diferentes rituais de celebração da data em diversos países.

 

            Alemanha

            As festas natalinas alemãs apresentam algumas diferenças entre si, dependendo da região onde ocorrem. Em algumas localidades, Knecht Ruprecht e seus ajudantes oferecem, em 6 de dezembro, bolos, avelãs e um pequeno brinquedo às crianças que se comportaram bem ao longo do ano, enquanto as mais travessas têm que se resignar com a visita de Krampus, que lhes deixa um pedaço de carvão. Em outras, é São Nicolau quem faz as visitas, na noite de 5 de dezembro, quando deixa guloseimas que devem ser abertas no dia seguinte. Segundo uma tradição popular da região católica do Sul do país, o Christkind (Menino Jesus) traz os presentes na noite de Natal. Nas regiões mais ao norte, os pais costumam dizer que o Weihnachtsmann (Homem do Natal) é quem faz a entrega.

 

            Austrália

            Muitos celebram o Natal com um piquenique ou um passeio à praia – a preferida é a de Bondi, em Sydney. Numa tradição que remonta a 1937, as pessoas se reúnem, em Melbourne, para entoar cânticos religiosos à luz de velas. Peru e pudim de ameixas são os pratos tradicionais.

 

            Áustria

            Os presentes são pedidos ao Menino Jesus, que os entrega no dia 24. O prato típico da ceia era a carpa, progressivamente substituída pelo peru. De sobremesa, maçãs e muitos doces. Na noite do dia 31, é tradição beber champanhe na Praça da Catedral de Viena, enquanto as célebres valsas soam por toda a cidade.

 

            Bélgica

            Na Noite de Natal, é celebrado um jantar especial, que inclui peru recheado e uma sobremesa típica, chamada la bûche de Noël. San Nicolas reparte os presentes no dia 6 de dezembro e volta na madrugada do dia 24, com mais surpresas. Nas duas datas, os presentes são deixados debaixo da árvore ou em meias dependuradas ao lado da lareira. No café da manhã é servido um pão doce, chamado cougnolle, com a forma do Menino Jesus.

 

            Brasil

            As celebrações de Natal nas grandes capitais brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm muita influência norte-americana, principalmente em relação às decorações feéricamente iluminadas. Em pleno trópico, Papai Noel surge em meio à “neve”, e as casas são decoradas com pinheirinhos. Entre as tradições folclóricas, as Folias de Reis ainda subsistem em Minas Gerais e Goiás. Vão de 23 de dezembro a 6 de janeiro e têm uma rica feição cabocla, oriunda da mistura entre elementos europeus e indígenas. São 15 dias de festa, onde um grupo de pessoas – a folia –, liderada por um alferes, vai de fazenda em fazenda, a pé ou a cavalo, visitando os presépios. Quando o grupo chega, cercado por muita festa, o líder entrega uma bandeira vermelha ao dono da casa, que a beija e a coloca junto ao presépio. Um gole de pinga serve como aperitivo para o jantar, que inclui leitoa assada, frango frito, tutu e arroz.      

 

            Chile

            Assim como na maioria dos países latino-americanos, as famílias armam pequenos pinheiros ornamentados com luzes e guirlandas. Aos pés deles fica o presépio, com pequenas figuras representando o Menino Jesus, a Virgem Maria, São José, os Reis Magos, os pastores, anjos e os animais que estavam no estábulo em que ocorreu o nascimento. Muitos comparecem às Igrejas para assistir à Missa do Galo, em que se anuncia e celebra-se o nascimento de Cristo. A troca de presentes ocorre após a meia-noite.  

 

            China

            Os chineses comemoram o Natal decorando as suas casas e árvores, chamadas “árvores de luz”, com lanternas coloridas, flores e outros enfeites de papel. As crianças penduram seus pés de meia para que Papai Noel – conhecido como Dun Lhe dao Ren, o “velho natal” – coloque ali os presentes. Como a maioria dos chineses não é cristã, a principal festividade deste período é a comemoração do Ano Novo chinês, que acontece numa data variável, no final de janeiro. Durante as festas, as crianças recebem roupas novas e brinquedos e há inúmeros shows com fogos de artifícios. Na comemoração do Ano Novo, é feita uma homenagem aos ancestrais. Retratos e pinturas deles são colocados no principal cômodo da casa para serem vistos e lembrados pelos seus atuais membros.

 

            Chipre

            O Natal, ao lado da Semana Santa, é a festa mais importante para os cristãos ortodoxos. Os mais tradicionais jejuam por 40 dias, nos quais comem apenas verduras. Os mais jovens, porém, já não conservam a tradição. Na noite de Natal, Papai Noel chega com muitos presentes, principalmente roupas novas. As crianças vão de casa em casa cantando kalandas, canções bizantinas. Como agradecimento, recebem dinheiro, balas e doces. 

 

            Colômbia

            O Natal fica em segundo plano em relação às festas de final de ano, relacionadas com os Agüeros (“augúrios”), atos que buscam obter amor, prosperidade, saúde e dinheiro para o ano seguinte. A cinco segundos da virada do ano, a tradição manda que se tome champanhe com a mão direita, que se coma 12 uvas e se faça igual número de desejos, que se vista roupas íntimas amarelas, que se queime incenso por toda a casa ou que se beije uma pessoa do sexo oposto. Essas tradições provêm, em sua maioria, da França e foram imitadas pelos colonizadores espanhóis.

 

            Costa Rica

            Na manhã do dia 25, a família se reúne em torno da árvore para a troca de presentes. Igualmente, bonecos de Colachos (também chamados de San Nicolas ou Santa Claus) enfeitam as ruas e casas. A guirlanda é outra tradição: ela é decorada com fitas e abençoada, em igrejas católicas, no primeiro domingo de dezembro. Nos quatro domingos que antecedem o Natal – o período do Advento – são acesas velas. Na cidade de Zapote, as festas incluem uma versão local das touradas espanholas, na qual 200 toureiros improvisados lidam com um touro. No dia seguinte ao Natal ocorre El Tope, desfiles de cavalos de raça e carruagens e, no dia 27, mais um desfile, o Festival da Luz, com veículos antigos iluminados com lâmpadas artificiais. 

 

            Egito

            Por se tratar de um país muçulmano, o Egito não dispensa grande atenção às festas natalinas. Os cristãos são ortodoxos e celebram o Natal em 7 de janeiro. Os hábitos alimentares seguem rígida tradição, que inclui um jejum de 45 dias, de 25 de novembro até a noite de 6 de janeiro, período no qual se come apenas vegetais. As casas são decoradas com luzes e árvores. No dia 6, os sinos de igrejas e mosteiros badalam ininterruptamente e os sacerdotes vestem suas roupas cerimoniais. A missa começa a ser celebrada, pelo papa da Igreja Ortodoxa, às 23h e é transmitida pela televisão. Após a celebração, as pessoas comem o fatta, feito de carne e arroz. Nas escolas, os professores dão presentes às crianças.

 

            El Salvador

            Desde as primeiras semanas de dezembro, as praças e ruas ficam repletas de vendedores de pólvora e de fogos de artifício, usados na celebração da chegada do Ano Novo. Na ceia, o prato preferido é o peru, acompanhado de arroz e salada. Uvas e maçãs são símbolos de cortesia e logo oferecidas às visitas. Antes da meia-noite, o mais velho da família abençoa a testa dos convidados com a imagem do Menino Jesus, que só é devolvida à manjedoura, depositada debaixo da árvore de Natal, após a décima-segunda badalada. Em seguida, ocorre a troca de presentes. No Ano Novo, são atiradas três laranjas embaixo da cama: uma sem casca (ano bom), outra com metade da casca (ano razoável) e outra com casca (ano ruim). Em seguida, as pessoas se agacham e retiram uma das frutas, com os olhos vendados, fazendo uma espécie de predição de como serão os dias que virão.

 

            Espanha

            As crianças recebem presentes duas vezes. Papai Noel deixa brinquedos na noite de 24 de dezembro e, em 5 de janeiro, os três Reis Magos (Gaspar, Melquior e Baltazar) repetem o gesto. Esta segunda tradição é mais forte e têm um charme especial: os pais estimulam os filhos a deixarem baldes com água e capim para os camelos dos reis do Oriente. Na manhã do Dia de Reis, as crianças não só esperam ansiosamente para ver o que os Reis deixaram junto aos sapatinhos depositados embaixo da árvore de Natal, mas querem saber se os animais se alimentaram direitinho antes de seguir viagem (cabe aos pais acordar bem cedo para jogar fora o capim).

 

            Estados Unidos

O Natal americano é rico, literalmente – em cores, brilhos e... compras. Semanas antes do 25 de dezembro, as pessoas superlotam calçadas, lojas e shoppings em busca de presentes para a família. As decorações das lojas são conhecidas no mundo todo. Nas casas, predominam enfeites com lâmpadas coloridas, bonecos de neve, velas vermelhas e guirlandas. Na véspera, vizinhos se unem para cantar Christmas Carols (canções de Natal). As crianças penduram meias na lareira e, na manhã do dia 25, abrem os presentes. O prato típico americano é o peru recheado, acompanhado de frutas tropicais. Os americanos inventaram o hábito de dar presentes no trabalho. É o Secret Santa, conhecido no Brasil como “Amigo Secreto” ou “Amigo Oculto”, no qual as pessoas não sabem de quem receberão os presentes.

 

            Finlândia

            Associações das mais variadas profissões se reúnem, após o expediente, para fazer decorações de Natal, vendidas logo em seguida. Essas noitadas de trabalho são chamadas pikkujoulou (o pequeno Natal). O primeiro domingo do Advento abre oficialmente o Natal, sendo que a árvore é decorada no domingo anterior ao dia 24, com bandeiras de diferentes países do mundo, como símbolo da amizade entre as nações. A tradição local manda que todos façam uma sauna na véspera do Natal. Ao meio-dia do dia 24 é proclamada, em Turku, a antiga capital do país, a paz natalina. Ao entardecer, as famílias se encaminham para o cemitério, onde, às 17h, acendem velas para os entes queridos. À noite, Joulupukki entrega os presentes.

 

            França

            Um dos pontos fortes do Natal francês é a qualidade e a diversidade dos alimentos servidos na ceia. Cada região tem o seu prato tradicional. Na Burgúndia, por exemplo, é o peru com nozes e, em Paris, ostras e patê. O Papai Noel vem acompanhado do Pere Fouetard, encarregado de informar ao bom velhinho o comportamento de cada criança durante o ano. As crianças colocam sapatos sobre a lareira, à espera dos presentes. Os presépios são feitos com peças de cerâmica. No sul do país, há artesãos especializados na sua confecção, sendo que os moldes mais antigos são do século XVII e a feira mais antiga dessas figuras ocorre, todo mês de dezembro, em Marselha.

 

            Gana

            As músicas de Natal invadem as ruas, o rádio e a televisão. É a época em que parentes e amigos se visitam, percorrendo cidades e vilas em carros e ônibus decorados com as cores e motivos da festa. Ter um contato com os pais é visto como um dever. O jantar inclui sopa de galinha e carne de bode ou carneiro. Laranjas e mamão também são muito comuns nas ceias. Uma árvore do jardim, geralmente uma mangueira ou goiabeira, é enfeitada pelas crianças. Os presentes são distribuídos por Father Christmas, uma reminiscência do passado colonial britânico, mas o cumprimento para Feliz Natal e Próspero Ano Novo é resumido numa só palavra do dialeto Akan: “Afishapa”.

           

Grécia

            Papai Noel é chamado Aghios Vassilis e aparece na noite de 31 de dezembro, deixando os presentes embaixo da árvore de Natal – para que as crianças os encontrem no Dia de Ano Novo. O ponto alto das festividades é a divisão entre a família, na noite do dia 31, da rosca de São Basílio, espécie de rosca de reis. Dentro dela é colocada uma moeda, originalmente de ouro, e aquele que a encontrar terá, segundo a tradição, um ano próspero.

 

            Guatemala

            As festas de Natal começam no dia 7 de dezembro, com a “Queima do Diabo”, na qual as pessoas retiram de suas casas aquilo que não utilizam, fazendo uma fogueira. Acreditam que, assim, estão se livrando dos males que nelas habitam. No dia seguinte, a celebração da Imaculada Conceição inclui fogos de artifício e muita música. No dia 12, as crianças são vestidas com trajes típicos e levadas às igrejas onde está a imagem da Virgem de Guadalupe, protetora do país. Na noite de Natal, são rezadas novenas. Outra tradição é a do “Roubo do Menino”. É comum que um amigo, ao visitar uma casa, retire a imagem da manjedoura. O dono da casa deve então esperar pacientemente que o “ladrão” devolva a imagem, celebrando uma festa para comemorar o retorno do Menino.

 

            Holanda

            Kerstman é o nome do Papai Noel, que voa pelos céus com as suas renas e coloca os presentes embaixo da árvore, no dia 25. Ele vive na Finlândia. Um equivalente é Sinterklaas, um santo celebrado a 5 de dezembro, que vem todos os anos da Espanha, por barco a vapor, com um grupo de zwarte pieten, que o ajudam a distribuir presentes pelas chaminés.

 

            Honduras

            A alegria das festas é notável já a partir do início de novembro, e os centros comerciais decoram suas vitrinas com temas de Natal e luzes coloridas. As prefeituras decoram edifícios públicos, parques, praças, pontes e árvores. Os presépios hondurenhos são célebres em todo o mundo, ornamentados com figuras de barro, arbustos e até com pequenos riachos. As paróquias são enfeitadas com uma planta chamada ponsettia, que floresce justamente em dezembro.

 

            Hong Kong

            A população realiza sua grande festa, chamada Chiu, que é uma comemoração taoista voltada para a limpeza e a renovação. Os deuses de cada templo da cidade são reunidos em um único local, onde a população deposita oferendas. Ao final da celebração, os sacerdotes lêem em voz alta o nome de cada um dos moradores do bairro. Pegam então essa lista, enorme, e a prendem num balão, colocando fogo nela logo em seguida. Em chamas, a lista sobe para o céu, num ato que se acredita trazer prosperidade a todos.  

 

            Índia

            Enquanto os brasileiros decoram pinheirinhos, árvores ausentes da maior parte das regiões do País, os indianos decoram árvores nativas durante o Natal. Mangueiras, principalmente, são enfeitadas e folhas dessas árvores são utilizadas para fazer objetos de decoração. Em algumas regiões, pequenas lâmpadas de argila são acesas com óleo e servem também para decorar a casa, telhados e muros. Nas igrejas, utilizam-se velas e bicos-de-papagaio. Na manhã do dia 25, as crianças encontram, pendurados na árvore de Natal, presentes, doces e frutas. São realizadas representações do nascimento de Cristo nas catedrais, com atores e marionetes.

 

            Inglaterra

            As crianças penduram meias para que o Father Christmas – que veste um casaco mais comprido e tem uma barba maior do que o Santa Claus norte-americano – as encha de presentes. Na tarde do dia 25, assiste-se, pela televisão, à mensagem especial da rainha. A ceia consiste em peru assado, torta de carne e pudim de ameixa. Desde a Idade Média, são realizados os mummings, apresentações teatrais com pessoas mascaradas, organizadas nas escolas e nas igrejas de pequenos povoados. A comida tradicional é o pudding, que deve ser mexido, no primeiro domingo do Advento, por cada membro da família na direção este-oeste, caminho dos Reis Magos para visitar o Menino Jesus, enquanto se faz um pedido secreto. Dia 26, é o Boxing Day, no qual são abertas as caixas de esmola das paróquias, para que seu conteúdo seja distribuído entre famílias pobres.

 

            Israel

            O Natal é comemorado, em Belém, cidade em que Jesus nasceu, com peregrinos e moradores cristãos. Eles se ajoelham na cripta da capela local dos franciscanos para adorar um berço. Segundo a tradição, esse é o berço de Jesus, conservado na Igreja e exposto apenas na noite de 24 para 25 de dezembro. Após a missa, os franciscanos oferecem uma ceia aos peregrinos, com pão preto e vinho. 

           

            Itália

            A festa de Natal começa com o cenone, na noite de 24 de dezembro, que inclui antipasti, espaguete, pescato, verduras, frutas frescas e torrone. Na noite do dia 31, as pessoas comem lentilhas, para ter sorte e prosperidade. À meia-noite, romanos e napolitanos jogam fora móveis e roupas velhas para apagar o passado. Babbo Natale traz os presentes na Noite de Natal e, no dia 5 de janeiro, é a vez de La Befana. Voando sobre os telhados com a sua vassoura, ela traz presentes para as crianças que se comportaram bem. De acordo com a lenda, os três Reis Magos pararam durante sua ida a Belém e pediram comida e abrigo a uma velha senhora. Ela negou e eles seguiram a viagem, com fome e cansados. Arrependida, ela vaga pelo mundo à procura do Menino Jesus.

 

            Japão

            A festividade do Natal foi introduzida pelos missionários cristãos e, durante muito tempo, a data foi comemorada apenas por eles. Nas últimas décadas, porém, todos, cristãos ou não, passaram a saudar a data. Isto ocorre porque, na cultura japonesa, há uma longa tradição de troca de presentes, atitude que o Natal estimula. Como as bonecas sempre foram muito valorizadas no Oriente, o presépio também encantou os japoneses. Há ainda um monge – hoteiosho, o bom velhinho – que, como Papai Noel, leva um saco com presentes às costas, mas tem um segundo par de olhos na parte de trás da cabeça, Com eles, observa se as crianças estão se comportando bem. É curioso observar que, ao conhecer a história do nascimento de Jesus em uma manjedoura, os meninos e meninas japonesas travam contato com a idéia de berço, já que os bebês japoneses não dormem neles.

 

            México

            O Natal gira em torno de procissões – as posadas –, que recordam os difíceis momentos que antecederam o nascimento de Jesus. Elas têm a duração de nove dias, período que a Sagrada família levou para ir de Nazaré a Belém, antes do Natal. A cada dia, é encenada a busca de José e Maria por alojamento em Belém: duas crianças carregam imagens de José e Maria a várias casas. As pessoas batem, então, à porta e pedem abrigo. O pedido é recusado, até que o dono de uma casa previamente escolhida aceita e todos festejam. A crianças tentam quebrar, de olhos vendados, com um bastão, a piñata, um objeto de papel ou argila pendurado no teto, vivamente decorado, contendo, em seu interior, doces e pequenos brinquedos. Quando ela é derrubada, as crianças disputam os presentes que caem no chão. 

 

            Polônia

            Em 5 de dezembro, Swiety Mikolaj (São Nicolau), cardeal da Igreja Católica, visita as crianças. A ceia de natal se inicia quando surge, na noite do dia 24 de dezembro, a primeira estrela. O momento culminante da ceia é o “Optalek”, instante dedicado a perdoar e reunir todos os que estão afastados espiritualmente, já que não é permitido que pessoas com desavenças e ressentimentos entre si participem dessa confraternização. Não se come carne vermelha, mas peixes, acompanhados de vinho branco, sopa de cogumelo, pães, doces de mel e torta de sementes de papoula. À meia-noite, assiste-se à Missa do Galo e espera-se a chegada de Gwiazdor, que significa “homem das estrelas”, relacionado com a Estrela Polar. No dia 25, podem ser servidos presunto e carnes à vontade. Este desjejum é a refeição mais festiva do dia.

 

            Quênia

            Na noite do dia 24, corais passam por diversas casas, entoando hinos de Natal e arrecadando dinheiro, que entregam à sua paróquia no dia seguinte. É tradição assistir à missa do dia 25 com roupas novas. As crianças recebem os presentes na noite anterior e as igrejas são decoradas com profusão de flores, fitas, guirlandas e árvores de Natal. As pessoas visitam os amigos e são recebidas com festas e muita comida, principalmente nyama choma, carne de bode assada, e chapatis, espécie de pão especialmente preparado para a festa.

 

            Suécia

            As festas de Natal começam no dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau. As crianças escrevem suas cartas de pedidos, que o santo troca por um saquinho de balas ou de nozes. Os presentes chegam no dia 24, à noite, trazidos por Jultomten ou, simplesmente, Tomten, que puxa um grande saco de jullappar, “presentes de Natal”, pela neve. Na ceia, a filha mais velha se veste de branco, com uma faixa vermelha amarrada na cintura e uma grinalda de folhas verdes com sete velas acesas na cabeça. Ela leva, cuidadosamente, café e bolinhos para cada membro da família nos seus quartos.

 

            Venezuela

            Entre os dias 16 e 24 de dezembro, as crianças cultivam o hábito de ir à primeira missa do dia. Na capital, Caracas, é comum que elas sigam para a celebração de patins. Em muitos bairros, chega-se a fechar as ruas para os carros até às 8h, como prevenção a acidentes. Na noite anterior à da missa, muitas crianças amarram um barbante no dedão do pé e colocam a outra extremidade pendurada para fora da janela. Assim, os primeiros patinadores que passam para ir à igreja vão dando um puxão nos barbantes dos pés dos mais preguiçosos, para acordá-los.

 

            Zimbabwe

            Os preparativos para o Natal, conhecido como Kisimusi, começam logo nos primeiros dias de dezembro. Uma atração especial são os cantos de grupos de crianças, que ensaiam meses para se apresentar nos dias 24 e 25. As mulheres geralmente são as responsáveis por preparar banquetes e se revezam na cozinha, para que possam assistir a pelo menos uma missa. Os pratos principais são a base de carnes vermelhas, regados com o chá, indispensável neste país de colonização britânica. Após a ceia, as mulheres entoam músicas religiosas. As festividades se encerram quando o sol se põe.  

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).
 


       

 
 

 

 

 

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