Nara Amélia Mello
Um
significativo
dizer
plástico
O
tratamento
gráfico
que a
artista
plástica Nara Amélia Mello dá a
seu
trabalho provém de
um
rico
diálogo
entre a
gravura, a
aquarela e o
bordado. O
modo
como utiliza as
linhas e as
cores está
profundamente
associado a uma
concepção
visual
que se distingue
por
um
lirismo
muito
pessoal.
Nascida
em
Três
Passos,
Rio
Grande do
Sul,
em 27 de
setembro de 1982,
ela transita
entre as
atmosferas da
sensualidade e do
sonho num
movimento
difícil de
ser mantido, regido
pela
pesquisa
constante e
pela
maneira
econômica,
mas
precisa de
uso das
tonalidades.
A
forma de
estruturar os
planos e a
aparição de
animais
próximos a
pessoas
em diversas
atitudes e
posturas impregnam a
produção de Nara de uma
poética do
espaço caracterizada
pela
sábia
existência do
branco e
pela
contenção da
escala
cromática.
Até
mesmo
um
arco-íris aparece de
maneira
comedida.
As
mais diversas
facetas da
violência
urbana e a
presença do
fantástico no
cotidiano convivem
em
imagens muitas
vezes marcadas
pela
presença de
texto,
algo
que
talvez
tenda a se
diluir
perante a
força da
gravura, a
delicadeza da
aquarela e a
sutileza do
bordado,
que,
ainda
mais
quando
em
associação
entre
si,
já
são
manifestações
suficientemente
fortes
para a
construção de uma
significativa
carreira
plástica,
em
que o
pensar, o
dizer e o
fazer caminham
em
paralelo
com
igual veemência.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).