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O vigor da arte naïf do Mato Grosso
A arte naïf tem no Mato Grosso uma de suas principais expressões. Os artistas locais ou radicados no Estado apresentam características comuns ao gênero, como serem geralmente criadores não-eruditos e desenvolverem temas populares muitas vezes inspirados no meio rural. As cores vivas, a imaginação, a estilização e o poder de síntese caracterizam os trabalhos exibidos e premiados neste I Salão de Arte Naïf em Mato Grosso, na Assembléia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, em novembro de 2006. Há neles a presença marcante do inconsciente coletivo, assim como uma constante renovação de assuntos e técnicas, que se deixam penetrar por influências consideradas eruditas, embora conservando a sua natureza popular.
Sabedoria
milenar, sonho de uma vida melhor e conhecimento plástico, assim, se
irmanam em obras difíceis de definir sob uma única catalogação. O
importante está na sua autenticidade e na maneira como enfocam questões
sociais, principalmente a destruição do meio ambiente e a violência
urbana, com espontaneidade e informalismo, ou seja, liberdade para não
respeitar aspectos formais
acadêmicos, como composição, perspectiva e cores reais. O que aproxima, acima de tudo, os artistas deste Salão é a autonomia do tratamento do espaço pictórico, o uso expressivo e ornamental das cores, o toque onírico que diferencia o universo criado da realidade e o sopro criativo e poético de cada artista. Nesse sentido, como mostra esta exposição, o Mato Grosso se destaca pela quantidade e qualidade de sua produção. Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
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