por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

 
 

Monograma, de Robert Rauschenberg

 

1) Expressionismo abstrato

Realizado entre 1955/1959, este trabalho combina um bode empalhado com numerosos objetos . Robert Rauschenberg (1925-2008) adquiriu fama nos anos 1950 por representar a transição entre o Expressionismo Abstrato e a Pop Art. Em obras como Monograma, se vale de materiais não-tradicionais em combinações inovadoras. Pintura e escultura se misturam, mas o artista também lidou com fotografia, impressão, papel e performance.

 

2) Pop art

Pioneiro em associar arte e tecnologia de ponta , Rauschenberg teve em sua formação influências da Pop Art. Estudou no Kansas City Art Institute e na Académie Julian em Paris, onde conheceu a pintora Susan Weil, que se tornou a sua esposa em 1950. Ambos passaram a cursar o Black Mountain College na Carolina do Norte (EUA). Nesse universo, a Pop Art, com suas idéias de reprodutibilidade já era um fato.

 

3) O estudo como fonte

Considerado, portanto, um dos artistas de vanguarda da década de 1950, o criador norte-americano realizou trabalhos com jornal amassado, garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados para a criação de uma pintura em que o pigmento se mesclava a esses elementos. Entre seus professores na Carolina do Norte, estava Josef Albers, que havia sido da Escola Bauhaus. Ele defendia uma rígida disciplina, que, segundo o próprio Rauschenberg, acabou por levá-lo para uma direção oposta à do mestre. Entre 1949, ele estudou ainda com Vaclav Vytlacil e Morris Kantor na Art Students League de Nova Tork (EUA), onde conheceu artistas como Knox Martin e Cy Twombly.

 

4) A influência da vanguarda

Rauschenberg une a pintura à comunicação , retirando da arte qualquer aura sagrada . Por isso, é chamado, às vezes, de Neo-Dada, uma denomição que compartilha com Jasper Johns. Para ele, o trabalho plástico se dava no vazio entre a a arte e a vida, o que e elimina um pouco a diferença entre objetos de uso cotidiano e as chamadas obras de arte.

 

5) Combine painting

A idéia de mesclar pintura com escultura tornou-se uma marca registrada, mas o questionamento da arte em si mesma era ainda mais forte. Em 1961, ao ser convidado para participar de uma exposição na Galeria  Iris Clert para fazer e mostrar um retrato da proprietária, ele mandou um telegrama dizendo que “Isto é um retrato de Iris Clert se eu digo isso”.

 

6) Não às idéias, sim aos materiais

O artista dizia não confiar em idéias por preferir os materiais , que o colocariam, de fato , em contato com o desconhecido . Por volta de 1962, por exemplo, as suas pinturas passaram a incorporar não só objetos encontrados na rua, mas imagens, como fotografias transferidas para as telas por meio do processo de silkscreen. Questionava assim a idéia da reprodutibilidade presente na Pop Art.

 

7) Vida e arte

Os elos entre vida e arte ganham na trajetória de Rauschenberg muitos contornos. Em 1966, a lado de Billy Klüver, lançou o Experiments in Art and Technology (E.A.T.), que consistia numa organização não-lucrativa criada para promover a colaboração entre artistas e engenheiros. Dezoito anos depois, ele anunciou seu Rauschenberg Overseas Culture Interchange (ROCI), nas Nações Unidas. O projeto incluía uma viagem de sete anos por dez países para estimular a paz mundial. Em cada um deles, México, Chile, Venezuela, Beijing, Tibet, Japão, Cuba, URSS, Alemanha e Malásia, deixou uma obra de arte. É claro que o seu trabalho, seja de pintura, desenho, fotografia, assemblages e outros suportes e materiais, sofreu a influência dessas regiões. A aventura ROCI, financiada pela National Gallery of Art de Washington, D.C., foi mostrada ao público em 1991.

 

8) Pintura e escultura

Além da mencionada fusão entre a pintura e a escultura, Rauschenberg atuou em outras áreas. Ganhou por exemplo um Prêmio Grammy pelo design do álbum Speaking in Tongues da banda Talking Heads. Também se envolveu em polêmicas ao apagar um desenho do artista de Kooning, que solicitou ao colega para essa proposta.

 

9) Cotidiano e arte

Outra experiência digna de registro ocorreu em 1951, quando realizou a série de Pinturas brancas. Na tradição da pintura monocromática, buscava a experiência mais pura possível da pintura. O músico John Cage as descreveu como “aeroportos de luzes, sombras e partículas”. Qualquer mudança de luz na atmosfera deixava ali a sua marca.

 

10) Objetos diários populares

Rauschenberg recolhia lixo e objetos nas ruas de Nova York e os levava para o seu ateliê, onde os incorporava ao seu trabalho. Sua busca era pelas surpresas que essas justaposições poderiam gerar. O contexto diferente em que era colocado o objeto gerava o inesperado. Dessa maneira, os limites entre pintura e escultura, que ajudou a abolir, se fundiam em obras de arte, principalmente as realizadas entre 1954 e 1962. Posteriormente, agregou mais e novos elementos, como papéis, fotos, tecidos, refugos urbanos e até animais empalhados, como ocorre na misteriosa e encantadora obra chamada Monograma.

 

Oscar D’Ambrosio é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte.

 

 

 

 

 

 

artCanal

 

Outros Artistas

 

Oscar D’Ambrosio