Monica Rizzolli
O
prazer de
errar
O
poder de
experimentar continuamente
sem
ficar
preso a uma
fórmula caracteriza a
inquietação
artística. Seja
pela experimentação
visual
ou
técnica, é
essencial
que o
criador mantenha
vivo
seu
desejo de
estar
sempre
pronto a
cometer
aparentes
equívocos, exercitando a
sua
liberdade de
pesquisar
caminhos.
Dois
pontos
marcantes na
poética
visual dos
desenhos de Monica Rizzolli
são a
forma de
usar os
brancos do
papel e as variações no
deslocamento da
figura do
centro do
espaço. O
resultado
final soa
natural,
quase
nos fazendo
esquecer
que
cada
obra
bem
acabada é a
conseqüência de
dezenas –
por
que
não
mais? – de
trabalhos
preparatórios.
Outro
fator
relevante é o
gosto da
artista
pela padronagem.
Isso se
expressa
pelo
caderno
onde faz anotações de
modelos
que
encontra
pela
rua e nas
formas
que essas
repetições estruturadas surgem
em
sua
obra, seja compondo uma
imagem,
como
um
piso,
ou numa sedutora
meia
feminina.
O
amor da
artista
pela
figura
humana se cristaliza
em
numerosos
auto-retratos e
em
rostos e
corpos
femininos.
Seu
lirismo está
muito ligado à
maneira
como visualiza o
cotidiano, extraindo dele
poses e
situações diversas. A
grande
diferença está na
prática e no
desenvolvimento desse
olhar.
Os
melhores
efeitos de Monica Rizzolli ocorrem
quando
ela consegue
obter o
máximo das padronagens, às
vezes rompidas
pelo
sutil
jogo de
quebra de
expectativa
com
áreas vazias e
manchas negras.
Isso dá ao
trabalho uma
mistura diferenciada
entre o
rigor
técnico e a
leveza e a
liberdade de certeiras
aguadas.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).