Mirthes Bernardes
Árvores esmaltadas
A vida e a arte de Mirthes
Bernardes estão fortemente associadas às árvores. Ela tem fascinação
sobre o tema desde criança e, diversas vezes,
familiares e colegas criaram metáforas da sua própria
existência como se fosse o desenvolvimento de raízes, tronco, galhos e
folhas em direção a uma elevação pessoal e espiritual.
Uma das principais expoentes nacionais da arte
de esmaltar sobre placas de cobre, a artista tem, como obra mais
conhecida, mas poucas vezes creditada adequadamente, o calçamento
padronizado da cidade de São Paulo, estilização do mapa estadual
escolhida para integrar a paisagem citadina por meio de concurso
público.
Após passar pela tapeçaria, escultura, desenho e
pintura, Mirthes encontrou, no esmalte, um
universo de possibilidades e, nas paisagens com árvores em destaque,
uma linguagem poética própria. Surgem, em cada obra, atmosferas de
encantamento em que as composições, com céus ao fundo, geram reações
que cativam o observador.
Arte que encontra antecedentes há mais de 3 mil
anos, no Antigo Egito, a aplicação do esmalte sobre metais e
outros materiais chegou ao Brasil em meados
do século XX, trazida por imigrantes franceses e alemães. Para
Mirthes, essa linguagem funciona como um
campo de pesquisa de cores, formas e sensibilidade.
Integrante do
Nubrae (Núcleo Brasileiro
da Arte do Esmalte) e com obras em países
como França, Suíça, Estados Unidos e Alemanha, a artista oferece uma
criação de portais que possibilita a passagem para um mundo em que
expressivas árvores, com todo seu simbolismo, e cores, cuidadosamente
desenvolvidas, se integram e fascinam.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes
Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São
Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção
Brasil).