Milton Takada
Poder derrisório
A
arte
que
conserva
traços da figuração
sempre constitui
um
desafio
para o
criador.
Por
um
lado, pode-se
tornar uma
mera
reprodução do
referente,
caracterizado
pelo
esmero
técnico,
mas
sem a
introdução de
um
elemento
questionador.
Por
outro, existe o
risco de
não se
ter a
habilidade
suficiente de
atingir o
resultado almejado.
O
artista
plástico Milton Takada
não corre
esses
riscos.
Ele se
vale de
seu
conhecimento
visual
para
estabelecer
um
universo marcado
pela
visão
crítica do
cotidiano,
principalmente da
corrupção e do
poder. No
entanto,
esse
assunto
não pode se
tratar de uma
prisão.
O
tema deve
servir
como
ponto de
partida
para uma
conjunção de
esforços no
sentido da
utilização de uma
poética
em
que o
amor à
imagem e ao
detalhamento,
sobremaneira na
construção dos
fundos e das
partes formadoras de
imagem, possa
ser,
em
si
mesma, uma
poderosa
expressão
interpretativa do
sentimento da
existência.
A
devoção à
minúcia e o
poder de
comunicação da
cor,
presentes
não
só nas
telas
como nas
esculturas, geram
pessoas
ou
animais
plenos de
um
desejo de
interferência
crítica na
realidade.
Não se
trata
apenas de
lidar
com a
existência da
pintura
enquanto
recurso
plástico,
mas de
atingir a
essência do
ser
humano
por meio da
arte.
Ter essa
questão
como norteadora de uma
visão de
mundo
demanda
um adensar do
próprio
fazer. Milton Takada pode, a
partir da
educação
visual
progressivamente adquirida,
caminhar
para o
desenvolvimento de uma concepção derrisória
que o conduza
por
alternativas
cada
vez
mais ousadas da
própria
produção.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).