Mi Castelani
A cor como
linguagem
A arte de Mi
Castelani é marcada pelo visceral. Colorista nata, oferece, em seus
trabalhos, uma jornada em que o observador tem que dar a si mesmo a
liberdade de ver. Seu interesse não está na representação, mas na
interpretação, na forma como vê, pensa e recria o mundo.
A busca da
artista é pela essência. Isso significa um processo construtivo em que
se vale, geralmente, de numerosas camadas, texturas e efeitos com
verniz, entre outros, para atingir um resultado em que o principal
está no exercício contínuo de uma comunhão com o observador.
Seja em seus
trabalhos abstratos ou naqueles em que foca animais ou visões poéticas
do povo brasileiro, sua marca registrada é o contorno branco que
ressalta as figuras. Ele surge como elo contínuo e vital que acompanha
tudo o que existe no mundo e suas infinitas relações.
A cor é a
linguagem primordial da artista. É na forma como articula o jogo
cromático que sua arte aparece como uma expressão plástica de um
sentimento caracterizado pela consciência das aproximações possíveis
entre o homem e a natureza por meio da essência energética e plástica.
Perante uma
pintura de Mi Castelani, não está em questão a simulação, mas sim a
forma de transfiguração por meio de uma poética que tem como
diferencial o trabalho com as tintas para consolidar um universo em
que a cor predomina como linguagem e como declaração de amor à
harmonia possível do mundo e dos seres que nele convivem.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação
Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).