Meire Levin
A arte que
nasce da inquietação
O
tempo e a
memória
são o
ponto de
partida da
arte de Meire Levin.
Esses
dois
elementos, de
modo
geral, estão
presentes no
repertório de
todos
nós e geram,
em
cada
trajetória existencial, as
mais diversas
inquietações. A
grande
questão é
transformar
esses
sentimentos
em
obra de
arte.
Meire Levin
obtém
sucesso
porque reescreve a
sua
história
por
meio de
seu
trabalho
plástico.
Isso significa
dar à
própria
caminhada
emocional uma
dimensão
concreta.
Muito
mais
que
experiências
plásticas
com
diversos
materiais, a
artista oferece
em
sua
trajetória
um
depoimento
sobre o
que significa a
vida.
Seja na
mala
que remete às
suas
origens judaicas, no livro-objeto
que funciona
como
roteiro de
memórias, nas
pinturas
em
que ocorre a desconstrução do figurativo e
nos
diálogos
entre
camadas de
tinta,
pedra,
pó de
mármore,
texturas e
recursos
plásticos, a
artista,
principalmente
quando mergulha na
abstração,
cria
instantes de
denso
lirismo.
As
obras de Meire Levin
são
resultado da
passagem do
tempo e do
processo
seletivo da
memória. Constituem a
consecução do
processo de
obter uma
resposta
visual
para
um percurso vivencial.
Isso significa
obter, a
partir das
veredas
pessoais,
resultados
plásticos questionadores do
sentido cotidiano de
nossa
caminhada
pela
vida.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).