Maurício Adinolfi
A visceral
consecução do
fazer
Existe uma
certa cristalização na
chamada
arte
contemporânea de
que o
fazer
artístico
precisa
estar atrelado necessariamente ao
pensar.
Tal
discussão
ganha
novos
matizes
quando se conhece o
trabalho de Mauricio Adinolfi. Está
ali o
exemplo de
um
jovem
criador
que realiza a
sua
obra
com
intensidade,
mas
sem
deixar de
lado o
raciocínio
sobre o
próprio
processo.
Nascido
em
São Paulo, SP,
em 7 de
março de 1978, Adinolfi morou
em
Santos
até os 17
anos e deu
seus
primeiros
passos na
arte e
pelo Brasil pintando e vendendo
camisetas. Cursou
Filosofia na Unesp de Marília,
onde realizou algumas
exposições
antes de se
fixar na
capital,
onde aprimorou
um
estilo marcado
pelo
ato de
levar
para
diversos
suportes sua forma de
pensar o
mundo.
Essa
maneira de transformá-la
em
arte se dá basicamente
em duas
frentes
que tendem a
ir se aproximando. De
um
lado, estão as
pinturas a
óleo, realizadas
com uma
fatura
que enfrentou
grande
desenvolvimento ao
longo da
carreira da
artista.
Independentemente do
assunto, está
ali
um
criador
que sabe
como a
discussão na
pintura esta na
forma de
ver o
diálogo
entre as
cores,
pinceladas,
camadas e
detalhes
que fazem as
grandes
diferenças.
De
outro, há a
prática do
uso da
furadeira
sobre
madeira
ou
fórmica num
processo
que se assemelha ao da
pintura,
pois é estabelecida uma
conversa
entre a
busca do
controle
sobre a
máquina e a impossibilidade
técnica e
mesmo
física de
transportar
para o
suporte
aquilo
que está na
mente.
Os
dois
caminhos encontram uma interessante
junção
temática
nos
bichos.
Cães e
babuínos
são
tratados de
forma não-realista no
sentido de
exploração daquilo
que
lhes é
indispensável: a
busca
pela
alimentação, o
sexo e a
vida
em
sociedade.
Levar
isso
para o bidimensional exige uma
trajetória de
experiências
tanto no
fazer
como no
pensar.
O
maior
desafio de Mauricio Adinolfi está na
forma de
construir uma
pintura
que se mantenha
contemporânea
enquanto
pensamento e
clássica
enquanto
realização. Essa
encruzilhada,
que compartilha
com a
sua
geração,
demanda
pelo
menos
um
exercício: o de
não se
preocupar
tanto
em
buscar
parentes
plásticos,
mas
sim
encontrar
em
si
mesmo a
energia
interna
que permite
transformar o
seu visceral
ato de
pensar na
essencial
consecução do
fazer.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).