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Massenzi
Coerência da qualidade
Versatilidade e talento são duas palavras que caminham lado a lado
quando se pensa na obra plástica de Pierino Massenzi. Italiano radicado
em São Bernardo do Campo, ele apresenta um conjunto de trabalhos
caracterizado pela capacidade de dominar diversas técnicas, como tinta
a óleo, bico de pena e afresco, com resultados marcados por dois
elementos: a crítica social e o amor à natureza brasileira.
Nascido em Roma, em 1925, Pierino Massenzi emigrou para o Brasil em
1947. Exerceu diversas atividades, como diretor de artes, cenógrafo,
decorador, artista plástico, projetista e professor da área de
cenografia do Instituto Superior de Cinema da Universidade de São Luiz,
em São Paulo, SP.
Licenciado no Real Museu Artístico e Industrial de Roma e na Academia
de Belas Artes da Itália, foi premiado em exposição realizada na sua
cidade natal durante a Segunda Guerra, além de ter obras em coleções
particulares em diversos países e junto às prefeituras de Diadema e São
Bernardo do Campo.
Suas paisagens tem uma concepção cenográfica, oriunda de sua prática
profissional, que incluiu trabalhos, como cenógrafo e diretor de arte,
em diversos filmes, como O cangaceiro, Tico-tico no fubá e Ângela,
premiados nacional e internacionalmente. Esse domínio do espaço é bem
marcante em suas composições plásticas aéreas. Em que o todo se
revela mais importante do que a soma das partes.
Destaca-se a sua participação na construção, pela Companhia
Cinematográfica Vera Cruz, da primeira cidade cenográfica da América
do Sul, em São Bernardo do Campo, para Tico-tico no fubá. A experiência
ganha nesse tipo de atividade, que rendeu numerosos prêmios, contribui
decisivamente para a visão que o artista tem de conjuntos de pessoas.
É na forma como trabalha multidões e as distribui no espaço que a
obra plástica de Massenzi se diferencia. Ao tomar assuntos como
marreteiros, meninos de rua, mutirão, conjunto habitacional ou bóias-frias,
insere seus personagens num espaço que dialoga decisivamente com o
observador.
As figuras retratadas compõem um coletivo harmônico no qual a retirada
de algum elemento pode comprometer definitivamente o conjunto. A
habilidade de lidar com blocos de pessoas constitui a essência de parte
do trabalho do artista.
Outro elemento fundamental é a maneira como Massenzi lida com a
natureza ou com alguns universos espaciais. Ao representar plasticamente
uma vegetação ou uma favela, por exemplo, vale-se do bico de pena, mas
introduz, em um local cuidadosamente selecionado pelo seu senso estético,
um elemento colorido. O recurso dá ao seu trabalho uma nova dimensão,
em que o tema fica em segundo plano perante o domínio da técnica
demonstrado.
Seja nos assuntos em que a crítica social é mais forte, onde dá
direito de imagem aos excluídos, quando enfoca a natureza, com rigor técnico,
ou nas abstrações, em que se vale de diversas estruturas, mais ou
menos geométricas de acordo com a obra, para expressar estados de alma
e realizar pesquisas plásticas de forma e cor, Pierino Massenzi revela
extremo apuro e dedicação.
Cada peça produzida é um ato de devoção ao próprio ato de criar,
seja com um repertório visual mais próximo ao folclore e à realidade
brasileira, principalmente a social, ou dentro de uma linha plástica em
que as estruturas e formas são o foco principal. Os dois caminhos se
unem pela seriedade e competência do artista.
O mais importante no trabalho de Massenzi é a coerência da qualidade,
atitude em que a prática do exercício constante de uma vida na arte -
tanto na cenografia como com tintas e outras técnicas plásticas - em
que o que se diz e o que se faz caminham lado a lado, unidos pelos laços
do domínio das diversas formas de produzir e da qualidade inerente
daquilo que é apresentado.
Oscar D´Ambrosio, mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação
Internacional de Críticos de Artes (Aica - Seção Brasil).
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