Mariluci Jung
Prazer
estético
Antigo
texto
indiano sobre o
comportamento sexual humano, o
Kama Sutra é considerado
o trabalho definitivo sobre o
amor na
literatura
sânscrita. Transformá-lo em ponto
de partida para imagens sobre o ferro oxidado é o desafio enfrentado
pela artista plástica Mariluci Jung. Sua jornada é transformar o
sedutor erotismo em prazer estético.
Segundo
a
tradição,
o
autor
do
texto,
Vatsyayana, foi
um
estudante
celibatário
que
viveu
em
Pataliputra,
um
importante
centro
de aprendizagem. Estima-se
que
ele
tenha nascido no
início
do
século
IV, sendo
sua
obra
um
processo
que
reúne o Kama, a
literatura
do
desejo,
e o Sutra,
discurso
baseado numa
série
de
aforismos.
A
artista
plástica,
por
sua
vez,
tem uma
história
que
passa
pela
joalheria
em
prata e
cerâmica. Foi,
porém, no
encantamento
pela
ação do
fogo
sobre o
metal
que
ela descobriu
como
formas e
imagens eram geradas. As
chapas de
ferro, oxidadas
pela
ação do
oxigênio, tornaram-se a
sua
paixão.
O
que se observa na
série “Assumindo o Kama Sutra” é o
desenvolvimento de
um
pensamento poético no
qual a
sexualidade das
imagens dialoga
com a
aridez do
ferro. A
combinação é
mágica e
instigante, sedutora
em
termos
visuais e
fascinante
enquanto
processo de
construção
artística e de
desenvolvimento apurado e
sensível de
um
tema.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).