por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Mariluci Jung

 

Prazer estético

 

Antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, o Kama Sutra é  considerado o trabalho definitivo sobre o amor na literatura sânscrita. Transformá-lo em ponto de partida para imagens sobre o ferro oxidado é o desafio enfrentado pela artista plástica Mariluci Jung. Sua jornada é transformar o sedutor erotismo em prazer estético.

Segundo a tradição, o autor do texto, Vatsyayana, foi um estudante celibatário que viveu em Pataliputra, um importante centro de aprendizagem. Estima-se que ele tenha nascido no início do século IV, sendo sua obra um processo que reúne o Kama, a literatura do desejo, e o Sutra, discurso baseado numa série de aforismos.

            A artista plástica, por sua vez, tem uma história que passa pela joalheria em prata e cerâmica. Foi, porém, no encantamento pela ação do fogo sobre o metal que ela descobriu como formas e imagens eram geradas. As chapas de ferro, oxidadas pela ação do oxigênio, tornaram-se a sua paixão.

            O que se observa na série “Assumindo o Kama Sutra” é o desenvolvimento de um pensamento poético no qual a sexualidade das imagens dialoga com a aridez do ferro. A combinação é mágica e instigante, sedutora em termos visuais e fascinante enquanto processo de construção artística e de desenvolvimento apurado e sensível de um tema.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

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 Assumindo o Kama Sutra
técnica mista sobre ferro oxidado

Mariluci Jung

 

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