O poder da
expressividade
O artista plástico
italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) dizia: “Aprende com os
mudos o segredo dos gestos expressivos”. A pintura da
pernambucana Marilene Gomes se alimenta justamente dessa fonte.
Por meio da cor, ela atinge grande intensidade visual, gerando a
empatia do observador.
Sua
principal temática, as festas populares nordestinas, aponta
para um universo repleto de significações. Cada imagem pode
– e deve – ser lida como uma composição plástica que
ultrapassa a mera questão do folclore, atingindo valor plástico
pela maneira como consegue captar, em composições
bidimensionais, o dinamismo das cenas retratadas.
Autodidata,
nascida em Paulista, PE, Marilene começou a pintar aos nove
anos, logo após a morte da mãe e, aos 14 anos, vendeu o
primeiro trabalho. Em 1977, em sua cidade natal, fez a primeira
exposição, dando início a uma carreira que prossegue até
hoje, sempre com uma grande entrega emocional na criação de
cada tela.
O
estilo de Marilene, além de ter a cor como elemento primordial,
vale-se muito do uso do detalhe. Esses dois fatores são
articulados para o estabelecimento de linhas plásticas em que a
alegria dá o tom. Quando os instrumentos musicais estão
presente, torna-se possível praticamente ouvi-los pelo trabalho
atento no desenho das personagens e pelos detalhes das roupas e
de cada figurante que integra o quadro.
A
luminosidade é um passo decisivo para chamar atenção do
observador. Muito mais do que se guiar por critérios técnicos
de composição ou equilíbrio, Marilene Gomes transforma sua
alegria de viver em resultado estético. Cada tela ganha então
uma rara identidade própria, uma linguagem peculiar de uma
artista sempre disposta a arriscar em nome do aprimoramento e da
forma artística e expressiva.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte
(AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a
arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus:
vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp
e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).