Marilene de Orleans
Casagrande
Retomada de
força
primordial
É na
pesquisa
que as
artes
plásticas encontram a motivação de
seu
existir. A
repetição de
formas,
conteúdos
ou
pensamentos geram
apenas uma
mesmice na
qual
não existe o
crescimento do
criador e
muito
menos
um
processo de
captar o
olhar do
observador
com
aquilo
que a
arte tem de
melhor:
seu
poder de
sedução.
Catarinense de Florianópolis,
nascida
em 1950, Marilene de Orleans Casagrande
leva
sua
pintura
por
um
caminho
caracterizado
pelo
uso de
diversos
materiais,
como os
pigmentos
naturais,
para a
construção de
autênticos
depoimentos
visuais
em
que valoriza o
seu
processo de
composição e a
cultura
regional.
Embora pareçam
livres
abstrações, a
linguagem da
artista tem
como
um de
seus
alimentos
essenciais as
pinturas
rupestres existentes no
Estado. Essa
cultura
ancestral se
soma às influências do
povo
tupi-guarani, seja
nos
padrões
visuais seja nas
cores e na
inquietação
por
existir.
Marilene de
Orleans Casagrande
expressa a
retomada de
um
passado
que integra a
raiz de
cada
habitante de
Santa Catarina.
Recobrar
esse
ímpeto
primordial é
um
elemento
constituinte visceral
que se distingue
pela
intensidade da
união
entre a
abstração, o experimentalismo
contemporâneo e a
força da
cultura
telúrica dos
primeiros
habitantes da
região.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes (IA) da Unesp, câmpus de
São Paulo e integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-Seção Brasil).