Maria Inês Lukacs
As aquarelas alegres
Há imagens que alegram os
olhos e o coração. As aquarelas de Maria Inês Lukacs estão
entre elas. Suas obras, geralmente marcadas pela predominância do
verde, transmitem uma intensa vontade de viver e de expressar esse
dom pelo uso da tinta. Cada trabalho é um universo de
espontaneidade e de lirismo.
Nascida em Bauru, SP, em 7
de setembro de 1947, a artista formou-se, em 1969, em Belas Artes
na Casa Pia São Vicente de Paula, elegendo dois mestres na
história da aquarela: os ingleses Constable e Turner.
Posteriormente, Maria Inês recebeu influências dos aquarelistas
Hugo Adami, Guido Totoli e Iole Di Natale.
Após anos de lecionar
inglês e português para estrangeiros, a artista hoje se dedica
integralmente à arte, principalmente à técnica da aquarela,
fazendo parte, desde 1991, do Núcleo de Aquarelistas da Faculdade
de Artes Plásticas Santa Marcelina, onde realizou sua
pós-graduação, em 1998.
Desde 1968, Maria Inês
realiza exposições e já levou seus trabalhos para diversas
cidades brasileiras e para países como Alemanha, Itália,
México, Hungria, EUA e Portugal. Esse sucesso se deve, além das
qualidades intrínsecas do seu trabalho com a aquarela, à forma
muito peculiar como trabalha a temática da natureza.
As matas e paisagens
brasileiras de Maria Inês, nas quais predomina a horizontalidade,
apresentam diversas cores, que vão da tonalidade azul de um céu
chuvoso ao verde escuro da grama embaixo das árvores, num amplo
domínio da paleta na busca de um esmerado resultado estético.
Isso pode ser observado no
tratamento dado às folhas, realizado com extrema delicadeza e
ricas nuanças de verde. Nos entardeceres, é o vermelho que surge
em um fundo geralmente diluído que revela grande domínio
técnico no trabalho com massas dos mencionados tons de verde,
azul e amarelo.
Nas pinceladas hábeis de
Maria Inês Lukacs, a aquarela parece não ter limites. Em suas
imagens permeadas de intensa poeticidade, a tinta é o meio pelo
qual a artista busca e atinge o infinito, expressando a força da
natureza no vigor dos troncos das árvores, índices do amor à
vida presente na maioria dos trabalhos da artista paulista.
Céu, colinas, água e
flores se harmonizam em aquarelas como Sorrindo para a vida, em
que seqüências de pinceladas parecem ter sido realizadas sem o
menor esforço. Crepúsculos com cores inesquecíveis, com céus
róseos, são também habilmente colocados acima de lagos e rios,
que refletem o firmamento.
Alagados paulistas com
chuva e estradas do sítio na Granja Viana são imagens que
exemplificam bem o trabalho de Maria Inês Lukacs. Tonalidades
muito especiais de verde, intensas flores do campo e águas de
diversas nuanças constituem um universo de amor à arte, pleno de
elementos naturais e da conseqüente alegria de viver.
Oscar D’Ambrosio é
jornalista, integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte
(ABCA) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor
naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).