A força
da mulher
A força
das esculturas de Margarita
Farré está na forma como ela articula
seus blocos de bronze ou alumínio. As mulheres que aparecem
representadas têm uma energia vital concentrada pelo uso econômico
das reentrâncias e exploração dos conjuntos em movimentos
expressivos.
Há nas formas compactas da artista catalã, radicada no Brasil desde
1957, uma visão muito especial da feminilidade das próprias
relações do ser humano com o espaço. Suas personagens femininas
apresentam uma sensualidade contida, mas poderosa, numa espécie de
poder balzaquiano de sedução.
Cada escultura, seja a mais figurativa ou a abstrata, onde
a pesquisa com materiais se intensifica,
oferece uma interpretação do mundo dominada pelo vigor plástico. Não
há delicadeza instigante ou perguntas em aberto. Existe sim uma
escultura afirmativa, com algo a dizer em cada manifestação
plástica.
Esse mesmo estilo marcado, só que em outra linguagem, a
bidimensional, pode ser encontrado, nas pinturas abstratas coloridas
da artista e em alguns desenhos em preto e branco. Embora mude a
técnica, o raciocínio permanece o mesmo. São trabalhos plenos de
expressão, naquilo que a palavra tem de mais verdadeiro.
Há uma
visão de mundo caracterizada por uma elaboração coesa, na qual o
principal elemento é a força que brota do interior da artista para
oferecer um conceito artístico marcado pela energia de um saber
intuitivo manifesto no exercício da prática e do aperfeiçoamento
constantes.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo
Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de
Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).