por Oscar D'Ambrosio


 

 



Marcus Andrews

 
Um pintor de auras

 

Considerada um campo energético multicolorido que envolve o corpo humano, a aura é uma atmosfera espiritual de uma pessoa que reflete, por meio de cores, os seus pensamentos e sentimentos. Esse mundo é um amplo manancial de trabalho para pintores que, como o inglês Marcus Andrews, encontram naquilo que a maioria das pessoas não vê um ponto de partida para sua criação pictórica.

Nascido em 3 de setembro de 1974 em Harrow, nas proximidades de Londres, Marcus James Andrews começou seu envolvimento com a arte no jardim da infância. Lembra que, aos 5 anos, desenhou um gato que decorou com fios de lã. O trabalho fez tanto sucesso, que foi colocado numa galeria de arte, sendo vendido rapidamente.

O passo seguinte de Andrews, ainda na adolescência, foi o recebimento de prêmios no ensino básico e médio. Autodidata convicto, ele conta que, desde aqueles primeiros trabalhos, ignorava as instruções dos seus professores por já ter em mente aquilo que desejava retratar e atingir. Ele conta ainda que, nesse período, pintava caricaturas da família, passando a realizar obras mais agressivas e rebeldes.

Entre suas influências, recorda uma exposição de Monet, em Londres, uma visita a Praga, na República Checa, e Tailândia. Um marco, no entanto, foi a sua ida, em 1999, a Gâmbia, na África Ocidental, onde aprendeu a dominar o Batik, arte originalmente ligada à nobreza de Java, mas realizada hoje de maneira bem menos artesanal e mais industrial.

Andrews, que hoje trabalha com artes gráficas para uma empresa que produz revistas, onde é responsável pelo design, layout e anúncios, admite ainda a influência de Salvador Dali e Kandinsky no uso das cores, luz e sombra, além do simbolismo e na associação das formas.

O artista inglês, porém, desde 1996, está voltando seu trabalho para uma linha metafísica, caracterizada pelo amplo uso de cores, tanto nas obras abstratas como nas figurativas. Preocupado em desenvolver mais a mente, já que se estima que usamos apenas 8% de nossa capacidade intelectual, Andrews busca cada vez mais levar para as telas aquilo que não pode ser visto.

Uma profunda inquietação existencial levou o artista, desde jovem, a buscar o conhecimento de elementos cristãos, budistas, taoístas, muçulmanos, judeus e batistas. Essa busca permeia a maior parte do seu trabalho, que enfatiza a presença da aura como elemento revelador da alma humana.

Praticante de Yoga, Andrews também utiliza as mãos como instrumento de cura e deseja ampliar esse poder por meio de seu trabalho artístico. Atualmente morando em Glastonbury, Somerset, Inglaterra, região considerada o coração espiritual do Reino Unido, ele espera crescer espiritualmente e poder se dedicar mais às duas atividades que mais aprecia: a cura e a pintura.

Andrews utiliza vários tipos de técnica, como silkscreen, batik e pintura a óleo. Há em todos os trabalhos uma forte presença expressionista. As cores apresentam tonalidades fortes, com predomínio do azul e do vermelho e, em torno da figura central, costumam aparecer intensas manchas de cor, como raios ou manchas que brotam de corpos – e até objetos – plenos de emoções.

No conjunto, a pintura de Marcus Andrews é um talentoso e indagador ato de devoção a realidades não tangíveis e visíveis. Sua pintura explora outras dimensões e gera no espectador perguntas sobre a própria existência e sobre as possibilidades de novos paradigmas do conhecimento a partir daquilo que ingênua e passivamente vemos todos os dias.

Oscar D’Ambrosio é jornalista, integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

 

 

 

 

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