por Oscar D'Ambrosio


 

 


 
Marcos Zechetto

 

            A São Paulo impressionista

 

            A cidade de São Paulo, pela sua própria multiplicidade permite mil e um olhares artísticos. Ela se presta às visões mais díspares: desde as da arte figurativa mais conservadora até experimentações concretistas e abstracionistas que reduzem o fascínio caótico de São Paulo a uma essência de formas, manchas ou linhas.

            O município é o principal assunto da arte impressionista de Carlos Marcos Gonçalves Zechetto, que assina os seus trabalhos como Marcos Zechetto. Filho do pintor José Lino Zechetto, desde os dez anos de idade, teve o privilégio de acompanhar um grupo de artistas que, em paralelo aos movimentos que se desdobraram do modernismo, na segunda metade do século XX, manteve o hábito de pintar ao ar livre a cidade e seus arredores.

            Assim, Marcos conviveu com profissionais dos pincéis do porte de Giancarlo Zorlini, Mario Zanini e Omar Pellegata, entre outros. Membro da Associação Paulista de Belas Artes desde 1975, ele conseguiu diversas importantes premiações nas edições do Salão Paulista de Belas Artes de 1979, 2000, 2001 e 2002, além de integrar o grupo de artistas que, convidados pela ONG Ação Ética e Cidadania mantém, desde 2004, intercâmbio com a França.

            A arte de Marcos Zechetto tem o grande mérito de apresentar uma visão própria de São Paulo. Impressionista à brasileira, consegue mostrar aquele lado europeu que todos sabem que a cidade de São Paulo tem – e que poucos conseguem captar, seja pelo discurso seja pela visualidade, tanto em fotografias como em pinturas.

            Fiel a sua estética, Zechetto transporta para as suas telas paisagens urbanas selecionadas a dedo. A Catedral da Sé, a Rua São Bento, a Estação Julio Prestes, o Edifício dos Correios, a Avenida Ipiranga e o Teatro Municipal são apenas alguns dos locais escolhidos, tipicamente paulistanos como o Vale do Anhangabaú.

            Esses e outros lugares são apresentados ao observador com uma técnica apurada em que o destaque está na arquitetura de São Paulo e na luminosidade da cidade. As pessoas surgem diminutas compondo os ambientes, mas são elas que demonstram principalmente a habilidade do artista de criar movimento em suas telas.

            Sem essas dezenas de indivíduos nos trabalhos, a arte de Zechettto correria o risco de ser fria e distante do público. Não é o que acontece. São justamente essas pessoas que transmitem o dinâmico vai-e-vem da metrópole paulista. Cada trabalho ganha assim alma e envolve quem o contempla.

            O escritor e poeta Mário de Andrade (1893-1945), em Paulicéia desvairada, já disse: “São Paulo! Comoção da minha vida.../ Galicismo a berrar nos desertos da América!”. Poucos conseguiram entender esses versos com a precisão estética de Marcos Zechetto.

A São Paulo que vemos em seus quadros tem técnica francesa, alma brasileira e o dinamismo próprio de quem conhece como poucos a metrópole paulista. Seu trabalho, nesse diálogo entre conhecimento pictórico e densa humanidade, oferece uma visão pessoal de uma cidade que fascina pela sua capacidade de mutação infinita, prédios históricos de estética européia e um respirar ofegante que apenas grandes artistas conseguem captar.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros de Contando a arte de Peticov e Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

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 Estação Júlio Prestes 

óleo sobre tela 50 cm x 60 cm sem data

Marcos Zechetto

 

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