Marcos Mabouro
A luz e a cor
A luz e a cor são a grande arma dos
artistas plásticos. A primeira possibilita a criação dos mais
variados ambientes. É justamente uma das bases da pintura
impressionista, principalmente no que diz respeito à capacidade
de sugerir diversos estados de alma. Quanto à cor, utilizada de
maneira expressiva, permite estabelecer diversas relações entre
objetos e formas. O resultado de um quadro depende, em boa parte,
de como a luz e a cor se estruturam para oferecer um resultado
harmônico em seus elementos constitutivos internos.
Essas reflexões surgem a propósito
do trabalho do pintor Marcos Maroubo. Nascido em Cândido Mota,
cidade próxima a Marília, interior de São Paulo, em 9 de
setembro de 1959, ele adquiriu a sua formação artística com o
pai, o pintor Maroubo, mas já em seus cadernos escolares se
divertia com rabiscos e esboços, que fazia para se distrair, mas
que agradava a muitos, que o incentivavam a continuar nessa
prática.
O desenho e a pintura eram atividades
que Marcos tinha como terapia e lazer. Em 1990, porém, ele
resolveu se dedicar integralmente às artes plásticas, começando
a participar intensamente de salões nacionais e internacionais,
recebendo inclusive diversas premiações.
Um de seus trabalhos mais valorizados
é Paraty, no qual consegue trabalhar com a luz e a cor, numa
mescla entre o rigor acadêmico e a liberdade expressionista no
que diz respeito ao jogo com as cores. O trabalho mereceu
inclusive a Grande Medalha de Ouro de pintura acadêmica no
Integration Art Show “New Circle Art Gallery”, de Miami,
Flórida, EUA, em 2001.
Além dos delicados tons de verde
presentes na tela, merecem destaque as sombras dos barcos
refletidas sobre as águas do mar. O quadro, realizado com
segurança e apuro técnico, domina as tintas e as utiliza para
transmitir um clima de equilíbrio e de harmonia, que capta o
encanto do local, em sua calma e beleza estética.
Uma tela como Guarujá oferece um
resultado semelhante, com uma dezena de barcos colocados de frente
para o observador. Aglomerados como um exército antes do toque de
ataque, parecem, num primeiro momento, um bloco único. Uma
observação atenta, porém, permite observar sutis diferenças
entre eles, principalmente nas posições e nas gamas de cores
utilizadas.
O resultado é um conjunto que se
aprecia com agrado, como ocorre também em Lageado, premiada, em
2001, em Punta del Este, Uruguai, como revelação na categoria
clássica. Diversas casas são colocadas sob diferentes ângulos
de perspectiva, ocorrendo o sutil uso da sombra, presente como uma
intensa faixa verde clara no centro da tela.
Marcos Mabouro toma a realidade como
baliza inicial de seu trabalho. A luz e a cor são trabalhadas em
composições em que o equilíbrio estético predomina. Nos atuais
tempos conturbados, suas telas exemplificam como o domínio do
pincel e da palheta pode oferecer efeitos mágicos e encantadores,
dando momentos de brilho a uma sociedade que parece dominada pelas
trevas.
Oscar D’Ambrosio é jornalista,
integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e é
autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf
Waldomiro de Deus (Editora Unesp).