por Oscar D'Ambrosio


 

 


Márcio Schiaz

 

            A limpeza dos telhados

 

            Cada artista plástico tem o seu mistério, ou seja, a sua forma de dialogar com o mundo. Seja no assunto, na técnica requintada ou no impacto que causa no observador, uma tela ou escultura, para conquistar seu espaço no mundo da arte, cada vez mais competitivo, precisa ter algo de velado, de escondido, que instigue visitas e olhares atentos.

            Márcio Schiaz tem um de seus mistérios na forma como soluciona plasticamente suas telas em termos de composição de linhas e, principalmente, no tratamento da superfície, com uma limpeza e perfeição admirável dentro de sua geração de pintores.

Nascido em 10 de maio de 1965, em São Paulo, SP, sua obra plástica percorre diversos caminhos: há naturezas-mortas, paisagens das cidades históricas de Minas Gerais, imagens urbanas de São Paulo e marinhas. Nessas diversas veredas, mantém a constante de uma obra em que busca-se conter os excessos.

Nesse esforço, a forma como realiza os telhados parece fundamental para que se tenha uma compreensão de sua obra. As áreas são trabalhadas com delicadeza para não ferir o conjunto da composição. Pouco importa se o local retratado é identificado abertamente. A grande questão está no resultado plástico, não no geográfico.

Nesse aspecto, alguns dos melhores trabalhos de Schiaz evocam obras significativas de Carlos Scliar no mesmo exercício de buscar o que existe de fundamental, de verdadeiramente essencial em cada conjunto que se propõe a retratar.

            Quando o assunto é especificamente São Paulo, Schiaz se vale, basicamente, de dois  métodos de pintura. Por um lado, registra os locais que deseja pintar em fotos, ponto de partida para um intenso trabalho no ateliê. Por outro, realiza pinturas in loco, no calor da hora, buscando dar uma resposta mais instantânea à efervescência de um momento.

            A opção de pintar ao vivo parece funcionar melhor quando se trata de captar o movimento de feiras livres, por exemplo, ou do burburinho de locais como a Ladeira Porto Geral ou a Rua General Carneiro. Os detalhes das pessoas no ato de caminhar ou de compra ganham interessantes dimensões inclusive pelo uso de tonalidades mais quentes, o que também contribui para ressaltar as frutas vendidas no comércio a céu aberto.

Locais como Praça do Correio, Estação da Luz, Teatro Municipal, Viaduto Santa Efigênia, Vale do Anhangabaú, Viaduto do Chá, Rua Libero Badaró, Praça Ramos de Azevedo, Avenida Paulista à noite, Pátio do Colégio e bairro da Liberdade são recriados numa ótica em que a pesquisa de posições e luminosidades a partir de fotos constitui um recurso de grande importância.

            Quanto às naturezas-mortas, gênero em que a versatilidade técnica do artista é colocada à prova, além de composições em que formas e cores são exploradas em diversas facetas, destaca-se a marca registrada de colocar frutas, garrafas ou pratos próximos a janelas, através das quais é possível vislumbrar paisagens mineiras, marinhas ou praias, assuntos recorrentes na carreira do artista paulistano.

            Com seus telhados de cores bem definidas e pesquisa constante, arrematadas por uma luminosidade bastante própria, Márcio Schiaz apresenta um caminho já significativo, mas que pode ganhar densidade pictórica à medida que, progressivamente, ele for se libertando de referenciais concretos.

Poderá assim mergulhar – e saudavelmente se perder – em recortes de espaços geograficamente indefinidos, onde sua técnica, já apurada, pode voar ainda mais alto, sem se importar com referências específicas, mas explorando ao máximo, por exemplo, a beleza dos telhados e sua riqueza plástica superlativa.

           

            Oscar D’Ambrosio mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).

 

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Ouro Preto 
óleo sobre tela 60 x 80 cm 2001

Márcio Schiaz  

 

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