por Oscar D'Ambrosio


 

 


Marcelo Senna: técnica, cuidado e paciência

 

            O artista paulistano Marcelo Senna mostra a sua São Paulo por meio do uso do lápis com a mesma naturalidade que muitas vezes passeamos pela cidade. A diferença é que ele desenvolveu, ao longo do tempo, um elevado senso de observação e um amor ao detalhe ímpar, enquanto nossas caminhadas tendem a ser descompromissadas.

            O trabalho, geralmente voltado para locais clássicos da cidade, como a Avenida Paulista, o Vale do Anhangabaú ou a Praça da Sé, foi ganhando novas dimensões. Há até a inclusão, por exemplo, de cenas da periferia, que levam a sua obra a ter um olhar essencial sobre uma das maiores metrópoles do mundo.

            Surgem também as cores, dando ao pensamento do jovem artista, nascido em 1974, uma nova dimensão. Já que opta por soluções não totalmente realistas. Consegue assim transmitir uma interpretação presente na forma de combinar gradações tonais.

            A poética do criador oriundo do bairro do Brás indica um caminhar atento não ao centro antigo de São Paulo e às suas imagens cristalizadas nos cartões postais , mas também à riqueza que oferece em suas novas construções e em locais menos explorados.

            A capacidade técnica de Marcelo Senna sempre impressiona pela feitura cuidadosa e paciente. Ao somar a essa característica um olhar renovado e a entrada da cor, ele paulatinamente reúne as particularidades que podem torná-lo o mais importante retratista da cidade de São Paulo num futuro muito próximo.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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