por Oscar D'Ambrosio


 

 


Rossanna Jardim

 

            Máquinas de escrever: renovação do passado

 

            A máquina de escrever, um dos objetos mais emblemáticos do jornalismo e da publicidade, se tornou peça de museu. Existe, porém, em sua história, um pouco da narrativa dos milhares de redatores que bateram naquelas teclas para produzis os mais variados textos.

            Essa poética é recuperada na pintura da artista goiana Rossanna Jardim. Seu poder de observação a levou a encontrar nessas máquinas um alimento visuallevado adiante pela habilidade em focar detalhes e gerar cores, principalmente ocres e verdes, que colocam a realidade visível numa nova dimensão.

            Na ótica de Rossanna, a máquina deixa de ser um instrumento mecânico com teclas que, ao serem premidas, causam a impressão de caracteres no papel, para ganhar uma dimensão plástica, no qual a artista valoriza as linhas retas e as letras, valendo-se da gradação de cores.

            O computador, com seus processadores de texto, que possibilitam efetuar o mesmo trabalho de modo mais eficiente e rápido, ocuparam, no fim do século XX, o lugar das máquinas de escrever, que foram progressivamente integrando coleções nacionais e internacionais.

            A pintura de Rossanna Jardim restaura o status dessas máquinas. De utilitárias, tornam-se obras de arte. Os recortes visuais, geralmente fotográficos, realizados pela artista, fazem com que muitas vezes percamos a referência concreta. Ao olhar atentamente, porém, a recuperarmos, indo para uma outra dimensão.

Mergulha-se no campo da memória e da lembrança das milhões de letras tecladas, das frases inventadas e dos textos que saíram em laudas marcadas pela força dos tipos impressos no papel. Afinal, como esquecer o ruído do teclado e o ritual das laudas amassadas e dos rascunhos corrigidos manualmente

As pinturas valorizam essas máquinas como objetos de desejo, reinventando-as como universo plástico, plenos de talento e portadoras de lembranças graças a uma pintora que valoriza e renova o passado, trazendo-o à tona como a expressão de uma época mais romântica por meio de um pensamento visual conscientemente elaborado.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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